Viagem a China

CHINA: Uma viagem diferente

A primeira referência que tive da China veio do meu pai, Jose Araújo Vieira, funcionário do Ministério da Saúde. Ele contava umas histórias de um certo Dr. Alencar, médico epidemiologista, que viajava o mundo inteiro em encontros, congressos, pesquisas e viagens de estudo. Ele esteve uma vez na China, onde conheceu 2 cearenses que eram cozinheiros de um navio e ficaram perdidos por lá e lhes relataram vários perrengues e passagens hilárias. Eu ficava deliciado com aquelas histórias, ficava pensando e imaginando coisas, estimulando o espírito aventureiro. Prestava atenção e ia anotando tudo no meu caderninho subconsciente onde deveria um dia visitar.

Bicicletario China

A China para mim era como se fosse coisa do outro planeta. Mamãe também me mandava com frequência e veemência para a China, sempre quando eu fazia algo errado. Talvez, esses tenham sido os gatilhos mais distantes para o meu interesse em conhecer a China. Ele cresceu após eu ler o livro –  Henfil na China antes da coca- cola, publicado em 1978,   O Henfil fez inúmeras observações importantes sobre certos hábitos, um me chamou atenção: notou que o pessoal do meio rural, andava com uma vareta no ombro e uma trouxinha na ponta, e depois, veio a saber que aquilo era merda. Foi em 1978 que começou a era pós-Mao, Deng Xiaoping iniciou a prática do slogan das 4 modernizações (agricultura, indústria, Ciência, Tecnologia e defesa). Período de reformas e abertura para o exterior.  Com o passar do tempo, as metas de interesses foram crescendo. A China por uma série de fatores atravessou quadras de fome e sofrimento, sequenciados por períodos de taxas de crescimento formidáveis.

Enfim, de forma inesperada, após muitas viagens, surgiu uma oportunidade de visitar a China.  A viagem foi promovida pelo advogado Daniel Rodrigues, primo da Eunice de Belém- Pará que pretendeu levar para a China sua família (seus pais,  Esposa, filhos e tias ). Ressalto que a gente já se conhece há muito tempo, viajamos juntos,  e são ótimas pessoas, agora nos brindando com a confiança e consideração em nos acolher no restrito grupo. O Daniel tem relações estreitas com empresários chineses e membros da diplomacia de Macau e se dispuseram a elaborar o roteiro de viagem.

O dia D foi o  9 de novembro de 2025. Até então a gente não sabia o itinerário de visitas na China, me deixando um pouco preocupado, eu tinha um sonho de conhecer Pequim e Xangai, dessa vez não daria certo. Daniel me tranquilizou, dizendo que o roteiro estava sendo estudado com muito cuidado e carinho. Dada a distância, Eunice programou umas visitas a médicos, ainda em Fortaleza, considerava um risco enorme passarmos 22 horas imobilizados feito sardinha em lata, numa cadeira apertada no setor menos privilegiado do avião da Air France. Ela conseguiu tanto na ida quanto na volta cadeiras com mais espaços para esticar as pernas e melhorar a circulação e acesso a banheiros. Uma pessoa do nosso grupo desistiu da viagem iniciada às 23 horas de Fortaleza rumo a Paris, voo direto, previsto para 8 horas. Em Paris, uma falha. Passamos 18 horas zanzando no gigantesco aeroporto, ao invés de fazermos um city tour naquela histórica e alegre cidade, permanecemos umas 2 horas na sala vip disponibilizada pelo meu cartão, por sinal bastante lotada, não muito confortável. Descobrimos um conjunto de sofás dando sopa, num canto do aeroporto, melhor que na sala vip, com pessoas inclusive deitadas e relaxadas a vontade na maior descontração. Passamos a utilizar estes expedientes. Bingo… Eunice se deu bem, eu nem tanto, não costumo dormir nestes aperreios. Daí, após algumas horas de relativo descanso, uma senhora oriental com uma criança me pediu para pastorar sua bagagem, enquanto iria buscar um lanche para ela e a criança. Retornou e me remunerou com uma pequena tangerina que aceitei de bom grado, enquanto Eunice dormia a sono solto.

Daí, seguimos para o portão de embarque ainda faltando umas 5 horas, onde ficamos conversando, eu e Eunice, até anunciarem o embarque. Outra falha, sempre que viajo, costume carregar muitas sacolas, e outros penduricalhos, dá um trabalho danado, certo é dispormos de uma mala gigante, tipo mala de navio, com menos de 23 kg, e uma menor de mão, evita trabalho e custos adicionais. Isso é importantíssimo.

1   Chegada em Hong Kong

De Paris para Hong Kong, a viagem foi de 13 horas sem escalas e pasmem, muito boa e confortável, acima das nossas expectativas. O cansaço ajudou, dormi muito bem. Chegamos as 10:52 do dia 11 de novembro de 2025 em Hong Kong, mais um pequeno sobressalto: Onde encontrar o nosso guia naquele mundo estranho, naquele gigantesco aeroporto, com mais de 500 salas de embarques? Ficamos esperando num setor, e após momentos de teima, fomos para outro, onde fácil, finalmente encontramos o nosso contato.

Aqui, vou evitar na medida do possível, ficar descrevendo dados facilmente encontrados no Google, vou relatar o que eu vi, senti e percebi na China, embora não possa me furtar de citar alguns relevantes fatos históricos para situar o enredo. Hong Kong foi ocupada pelos chineses desde o Neolítico, era uma pequena comunidade pesqueira, uma ilha rochosa com pouca água e refúgio seguro de piratas e contrabandistas de ópio. A cidade foi cedida indefinidamente pela China à Grã-Bretanha, em 1842 pelo Tratado de Nanking e devolvida à China em meados de 1997, com base no princípio, um pais, dois sistemas.  A autonomia, no entanto, tem diminuído e gerado protestos. Hoje, é região administrativa especial, tem uma bandeira, moeda própria o dólar honconguiano, com valor um pouco menor que o real. Mas tem toda uma burocracia aduaneira para Macau e China continental.

Notamos logo a influência britânica em Hong Kong, a direção dos carros no lado direito, os ônibus típicos de Londres, vermelhos com um andar superior.

Bom, chegando lá, fomos direto para o excelente hotel Auberge, próximo de atrações como Disneyland, aeroporto e 25 minutos do centro de ônibus, daqueles de 2 andares. Chegamos exaustos. Para aguardar o sono e ajustar o fuso horário comecei a buscar um canal de tv que tivesse algo em espanhol, inglês ou português, não consegui sintonizar. Desisti, era tudo em Cantonês, Chinês, mandarim, perdi a esperança e procurei ler alguma coisa.

No segundo dia de China, acordei e ao abrir as janelas, me deparei como uma vista magnifica, uma enseada da ilha de Lantau com 146 km2. A diária do hotel Auberge é de R$ 750,00 (nov/26), o hotel tem mais de 300 apartamentos.

Nas imediações do hotel tem um centro de serviços com supermercados, restaurantes, praças com butiques diversas, lojas de departamentos, de turismo e bela vista para o mar, onde a noite fomos visitar. No dia seguinte tomamos o café da manhã num local simplesmente paradisíaco, amplo, com vista deslumbrante para a enseada. Tinha quase tudo nesse café da manhã. Percebi certa escassez de frutas, tinha banana, melancia, e umas tangerinas, tudo cortado em pequenas porções, e guardados cuidadosamente em um pequeno armário, como espécie de troféu. Tinha todo tipo de mingaus, ovos, pães, chás e caldos de tudo que é cores e nsabores, eu não sabia nem o que era e tampouco ousava experimentar.

Ainda no hotel tiramos fotos em pequenos espaços bem decorados e depois saímos para abastecer nosso quarto com alguns lanches. Nossa primeira saída do hotel foi para o centro de Hong Kong, visitamos o centro comercial que é igual em qualquer lugar, diferença que tudo  naquela ininteligível linguagem chinesa. Compramos um tablet Honor Pad X9, 256 GB por1.200 reais, deveria ter comprado outro, muito bom preço. Nesse primeiro dia de passeio, visitamos um prédio com a maior escada rolante do mundo, não tivemos maiores informações sobre esse prédio, sabemos que une o centro com alguns bairros. A escada servia de distribuição logística.

Enfim, a impressão de Hong Kong, metrópole super opulenta e organizada seguindo a tradição britânica, gigantescos arranha-céus, segurança e transporte impecáveis, uma certa mistura de oriente com ocidente, certamente com a influência inglesa.

2 Macau

A distância de Hong Kong para Macau é de 60 km,  percorridos num micro ônibus e deu para ver a extraordinária e portentosa infraestrutura, pontes ,viadutos, tudo superlativo, pensava assim, imaginem o tempo que se levaria para concluir obras desse porte no Brasil.

Eunice em Macau

Passamos por uma guarda de fronteira, com direito ao controle de passaporte. Macau tem uma moeda diferente, a Pataca, parece que ouvi falar nesta moeda quando ainda era pequeno: “Não vale uma pataca”, já dizia o meu avô quando se referia a uma pessoa que ele não prezava.  

3 Tung Chung North

Saindo de Hong Kong, chegamos em Taipa. Atravessamos uma ponte de 53 Km, inimaginável, chegamos ao meio dia do 13/11/2025, nesta ilha de 8 km2,  na freguesia de Nossa Senhora do Carmo, onde estão construídos os melhores hotéis e cassinos do mundo, perdendo apenas para Las Vegas nos EUA. Estivemos num complexo de resorts com mais de 40 hotéis. Réplicas da Torre Eiffel, de Veneza, e um salão com um cassino fenomenal. Vez por outra ouvíamos o sussurro estrondoso e um convescote comemorando lances e perdas de talvez milhões e milhões de dólares. Talvez de patacas.

Tudo muito grandioso, estranho, diferente, e esquisito, aos nossos olhos e ouvidos ocidentais. Parece que a gente está num outro mundo, noutro planeta, não consigo explicar bem.

Dentro deste enorme resort em Macau, fomos a um local chamado zona de Aterro de Cotai que liga a ilha de Taipa com a de Coleane, uma vasta área de terra recuperada, um verdadeiro centro de turismo, cujos drenos são as imitações de Veneza. Transformaram o mar que separa duas ilhas em uma área com hospitais, universidades, aeroporto, centro de lazer, um verdadeiro espetáculo pratico de economia sustentável, o que antes era deposito de lixo em área multifuncional para o futuro urbano de Macau. Fonte de renda?  Lazer , turismo e jogos de azar. Las Vegas vem de um deserto, Cotai, vem do mar…..

Procurem saber, sobre o Plaza Macau que conta com 300 suítes de alto luxo e atende aos usuários e adeptos do jogo.

Nesse dia, jantamos num luxuoso restaurante e pernoitamos no Grandwiev cassino

A primeira imagem que tenho dessa cidade de Macau é a frente intacta de uma igreja destruída. As Ruinas de Macau, são da Igreja de Madre de Deus, e do vizinho colégio de São Paulo, a igreja construída pelos jesuítas no século XVI e destruída por um incêndio em 1835. Esta fachada sobrou por ser de granito. As construções e o paço, anexo e adjacentes são de estilo inconfundível português, com inscrições em português, como o caso do Instituto para os assuntos municipais. Mas, notei que as pessoas quase não falam o idioma português, na verdade, parece que o esquecimento é proposital.

Em Macau, as ruas também são muito limpas. Acho que foi a primeira vez que vi na vida uma moça puxando um gato pela coleira. Passamos em frente ao consulado e seguimos para um ótimo restaurante.

Neste dia dormimos em The Kimberley hotel, em Hong Kong, no dia seguinte fomos para a fronteira terrestre em Cotai na ilha de Hengquin que é fronteiriça com Zhuhai, exatamente na China Continental. Hengquin conecta Taipa com China continental, sendo um posto de controle alfandegário. Um novo visto de passaporte e assim, me senti bastante visado, controlado.

Fomos, cedo da noite, a uma feira gastronômica com comidas típicas e interessantes como por exemplo, um iogurte de limão que piscava, uma espécie de reação química instável dentro da garrafa.

Nossos deslocamentos na China eram em 2 excelentes vans toyotas pretas, com motoristas, carros herméticos, muito modernos e confortáveis. Fomos ao autódromo de Macau, lá nunca teve formula 1, só campeonato de base e o nosso Airton Sena ganhou um grande prêmio importante de fórmula 3 na década de 80, tendo destaque neste local. Tiramos uma foto de sua réplica, o cara levou o nome do Brasil muito longe. Tem muitos simuladores de moto e carro em alta velocidade.

4.Cantão    

     No 15/11/2025, exatamente ao meio dia, entramos na China continental (Zhuhai) que liga Henghin, uma ilha que faz parte de um complexo fronteiriço e atende mais de 220 mil pessoas por dia. Novamente, todos os tramites burocráticos, outra bandeira, outra moeda, o yuan, que cambiamos com nossas patacas de Macau. Nesse período de China tiraram nossas digitais e fotos de tudo que é jeito, eles adotam um controle extremamente rígido. Fomos de ônibus à Guangzhou, nome em mandarim, ou Cantão numa versão nominal ocidentalizada. Entramos na China continental exatamente as 12:36 hs. Verdadeira China, um espetáculo de limpeza, prédios gigantescos. Surgiu o primeiro segredo do Mauro:  Estamos na China Vermelha, olhei de lado vi uma policial fortemente armada, fiquei até um pouco preocupado, tudo lá é grande, tem escala. A gente sente que as coisas lá crescem com velocidade e planejamento. As 13 horas começamos a almoçar, nos esperava um bolo de chocolate apetitoso para uma aniversariante especial pertencente ao nosso alegre grupo. Surgiu inesperadamente um garotinho esperto e risonho, filho da nossa anfitriã na China, a Mia, distribuindo flores aos comensais. As 15 horas fomos a um parque infantil com esquisitos e interessantes brinquedos. Nosso grupo contava agora com 3 crianças, estava mais rico e leve e alegre.

Torre de Cantão

As 16 horas fomos conhecer a torre de Cantão, a previsão era subir e jantar nas alturas, 190 andares, apreciar a gigantesca cidade numa vista noturna deslumbrante. Era gente demais. Desistimos e optamos pelo passeio de barco, ficamos perdidos, a guia não conhecia bem os roteiros e destinos. Nosso grupo era sempre acompanhado por uma pessoa que tinha um certo conhecimento local, um de apoio e uma moça arredia que me pareceu ser representante do governo.

Terminamos a noite não fazendo nada e em compensação fomos brindados com um aposento em frente a torre de Cantão, uma suíte máster esplêndida, com sala, ante sala. Por conta da furada nos passeios noturnos, decidimos jantar no hotel e abdicar de visita ao zoológico no dia seguinte, e a um projeto de plantação de chá. Adorei a ideia desta visita, infelizmente substituída, acreditem, por um passeio no pitiú, aliás isso fora ventilado pela Nice na noite anterior, com o pronto e efusivo apoio da Eunice e Nezilour. Assim, seguimos para uma espécie de 25 de março de Cantão, particularmente não gostei muito, tinha musico de rua, meninos insistentes querendo limpar os nossos sapatos, e outras pequenas mazelas que conhecemos, fui voto vencido, com o argumento de que perderíamos muito tempo no deslocamento às visitas rurais.

Cesar na torre de Cantão

Fomos a torre neste dia seguinte, a gente sobe num teleférico, seguido de outro e de outro e a noite fomos passear de barco no rio das Pérolas. Para mim, o mais belo e espetacular passeio da viagem. Observei que em tudo, os chineses transformam problemas em potencialidades. Por exemplo, vi drones imitando garças voando, ao mesmo tempo fazendo uma extraordinária coreografia, pensei, enquanto embelezam nossos passeios aprimoram artefatos para fins não muito nobres, bélicos por exemplo. É uma mudança que poucos enxergam, armas baratas que podem destruir equipamentos que valem bilhões. Neste passeio, o que mais me impressionou foram as luzes noturnas piscando nos prédios opulentos da cidade e os que margeiam o rio.  

5. Chengdu

Então fomos para o Hotel Ramadan de onde saímos as 13 hs para pegar um avião com destino a Chengdu, cidade dos pandas. É a capital da província de Sichuan, sudoeste da China a 1500 km de Pequim, com mais de 20 milhões de habitantes. Esta cidade é espetacular, os próprios chineses reconhecem que eles precisam descobrir e divulgar mais esta encantadora cidade, grande polo cultural, econômico e tecnológico. Agradeço ao Daniel a sua inclusão no roteiro. Ficamos no City HUAGUOSHAN hotel. Fizemos um passeio exótico a uma sauna estilo chinês, que obviamente causou um grande choque cultural ao nosso estilo ocidental. Os mais idosos do grupo, onde me incluo, nos recusamos a entrar na sauna a convite de 2 chineses, cada qual com um bigodinho esquisito, felizmente, ventilou-se que eles adoravam aplicar uns petelecos nas pessoas em trajes de Adão. No grupo tinha uma aniversariante que também não aceitou celebrar sua festa com vestimenta chinesa como manda a tradição. De sorte que, terminamos a noite num luxuoso salão de festas surgido do nada, uma lição importante de replanejamento, enfim. A noite terminou e todos ficamos felizes.

Ficamos no Cyty Huaguoshan e fomos no dia 18/11 para o parque dos pandas, onde vimos e aprendemos muito sobre estes animais em extinção, existem cerca de 5 mil pandas vermelhos no mundo. O que senti?  A China cuida dessa preservação com muito esmero. Minha percepção: Transformaram uma ameaça, animal em extinção, numa oportunidade de negócios. Por exemplo, o panda branco e negro é na verdade, um urso, o vermelho, da espécie Ailuridae, parente do guaxinim ou doninha, erroneamente conhecido como um tipo especial de raposa. A China cuida, ganhando muito dinheiro com o turismo e o marketing, impactando o nincho tipo público infantil, especial para aprender a amar e respeitar este lindo, terno e cativante animal. Surgem daí novas ideias e possibilidades de parcerias; Resultado: Dinheiro, muito dinheiro, o panda seria um contraponto chinês do Mickey mouse.

Após visitar os pandas, continuamos a explorar o museu Sanxingdu com danças e registro  documental sobre a história de Chengdu, pesquisas e amostras arqueológicas do parque no finalzinho da tarde.  A noite no hotel, deparamos com um robô no elevador fazendo entregas de comidas nos apartamentos. Foi um susto e um encanto.

No dia seguinte, 20 /11 fomos ao Parque ecológico Beihu, um local com muito luxo, onde apreciamos musicais e danças com direito a um almoço, auto preparado em mini fogão, umas palmas de mão de plástico para a gente aplaudir quando o show agradava. A comida? Totalmente diferente, pouco convencional ver algo da cultura com danças, fotos no Beihu Parecology Parque. Fizemos um manifesto num bumbo na saída.

Seguimos numa avenida luxuosa, cheia de tuk tuk, a Desheng road, fomos a uma rua diferente, shopping , tudo limpo. O Daniel me presenteou com uma garrafa belíssima de cachaça chinesa que guardo com carinho.

Conseguimos ver ao mesmo tempo a arquitetura moderna e antiga, tradicional, com a oferta gratuita de comidas típicas, experimentei e achei extremamente apimentada. Rua Kuan Alley, passeio realmente interessante, difícil descrever. Veio o jantar, a única coisa que consegui comer foi um ovo cozido de galinha, segundo o Mauro soprou, o seu segundo segredo, era que tinha ali no meio, muito ovo de pombo. A comida passeava na minha frente e enquanto eu avaliava o que era, já era, e nesse vai e vem, fui dormir com fome.

Em seguida fomos a um belo jardim de bonsai, no Chengdu Wuhou Shrine Mus, Wuhou Temple, com imagens expressivas de entidades divinas, e outros elementos da cultura chinesa. Não tivemos nenhuma explicação, ficou difícil entender o significado destes traços culturais milenares. No retorno falei para o Mauro, cara, um segredo, será que a gente vai ter tempo de tomar um café com bastante calma, sem atropelos? Neste momento, alguém do grupo solicita, Cesar, vamos embora, estamos atrasados para as compras…Ufa. No dia 22/11/2025 seguimos para o lindo e amplo aeroporto de Chegdu com destino a Hong Kong, última etapa da viagem à China, exatamente no ponto onde chegamos. Houve um problema de lotação nos carros, então eu, Eunice e o guia tivemos de sair do script, pegamos um taxi e observei atentamente o roteiro em ruas paralelas. Verifiquei que existem algumas similaridades com o que aqui no Brasil chamamos de “quebradas”

No 23/11 , de manhã,  fomos a um passeio de teleférico até a lugarejo onde se situa o Buda, uma estátua gigante no pico da montanha, o segundo melhor  passeio da viagem a meu juízo. Não fomos até a estatua, demos por visto, considerando um bom número de degraus para chega na estátua. De tarde, fomos ver algumas vistas de Hong Kong, através de uma estrada íngreme, cheia de riscos e curvas. Poderia ter ficado no hotel e adjacências. Finalizando, terminamos num local onde tem uma estátua em tamanho natural do famoso Bruce Lee.

Por fim, a história das moedas. Fui num supermercado próximo ao hotel para me livrar, gastar os 82 dolares honkongianos que sobraram da viagem.  Peguei algumas frutas, bolachas e pães, na hora de pagar me faltarem uns trocados. Tentei completar com moedas, não percebi que algumas delas eram patacas de Macau, e centavos de yan da China Continental. A funcionária do caixa naturalmente não aceitou, e fez uma careta para mim. Ai, fiquei um pouco embaraçado, notei as pessoas rindo na enorme fila atrás, eu gesticulava com o braço que iria voar, mais risos. De repente surgiram pessoas com moedas para completar minha nota de compras. Aceitei de bom grado, e interpretei o pequeno gesto digno de registro neste post, um sinal claro de que as pessoas entendem de solidariedade, quando realmente é necessário e de boa fé.

Finalmente, a despedida da China, uma sensação de surpresa e a revisão de minhas expectativas sobre este grande País, muito positivas e favoráveis. Chegando em Paris, Eunice me falou, Cesar, estamos em casa. A proposta inicial do Daniel foi plenamente satisfeita.

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Turquia e seus Tesouros

Do ponto de vista Geopolítico a Turquia é de importância inquestionável, está situada entre Europa e Ásia, tem mais de 80 milhões de habitantes e tem IDH alto.

Em 10 dias visitando a Turquia tive uma percepção bastante positiva por onde andei, senti um País em crescimento, uma certa sensação de segurança, um patrimônio cultural extraordinário e sítios naturais e de belezas artísticas surpreendentes.

Claro, me baseio apenas na percepção do turista sem observar dados e informações estatísticas mais apuradas, mas achei um Pais menos desigual, os carros lá são mais simples, a alimentação baseada em proteínas de origem vegetal, peixes e aves, e poucos sinais de pobreza extrema. Mesmo sabendo que os locais turísticos são sujeitos a maiores atenção e cuidados, pude observar esses sinais positivos. É bom lembrar que a inflação é galopante, mas eles tem uma espécie de anteparo e proteção cambial de moedas fortes (dolar, euro), mesmo porque tem um pé na Europa e outro na Ásia.

De tão interessante foi o passeio, que espero um dia poder retornar a Turquia, se as condições físicas e financeiras permitirem.

Vamos para a Turquia

Saímos dia 31/5/2024 de Fortaleza para São Paulo pela Gol e logo no aeroporto de Fortaleza tropecei na bagagem de uma senhora e machuquei o mesmo braço esquerdo que tinha amanhecido inflamado dias atrás sem motivo aparente. Pensei com meus botões, cair no começo de uma viagem dessa não é nada bom. O segundo susto, com o preço do taxi avulso de Guarulhos até a casa da Sirley em São Paulo, R$ 200,00. Absurdo. Consegui negociar por R$ 170,00.

Na próxima viagem levo menos bagagem, apenas o necessário. Ah, nunca esqueçam o guarda-chuva.  Se não chover, protege contra o sol que pode ser cruel nestes novos tempos de mudanças climáticas e intrusos.

Fomos muito bem recebidos pela querida prima Sirley, grande anfitriã na sua casa em São Paulo. No dia seguinte, feriado de primeiro de maio, passear e depois descansar o corpo para a viagem de 13 hs direto de São Paulo para Istambul.

Nesses dias em São Paulo Sirley recebeu a Fabiola prima da Eunice que trouxe uma bela orquídea. Ganhei um vinho branco do Alexandre, seu marido dentista e paulista de Santos, muito agradável e comunicativo. Fabiola exerce a medicina em São Paulo, eles nos brindaram no dia seguinte num local chique com um vinho e jantar na capital paulista. No sábado tomamos mais um vinho com a Carla, e almoçamos na casa da Sirley um delicioso bacalhau com o seu neto Pedro e sua filha Thalita, seguimos depois para o aeroporto de Guarulhos. 

Após 13 horas de voo direto de São Paulo chegamos em Istambul no dia 5/5, num excelente e confortável voo pela Turkish Airlines, sem nenhum contratempo, zero turbulência e com grande mordomia. Nesse voo passamos pertinho de Fortaleza, antes de atravessarmos o Atlântico, para alcançar o continente Africano, o avião mostrava um mapa onde a gente sobrevoava, entramos por Dakar no Senegal, pude anotar locais com nomes complicados como, Adrar na Argelia, cidade num oásis do deserto de Saara, Agadir no Marrocos, entre outras. Os lugares ocupados no avião eram diferenciados, um pouco mais caros (1400 reais) tornaram a viagem melhor ainda. Viajamos junto de uma Libanesa grávida, muito saudosa do marido que ficara em São Paulo

Chegamos finalmente em Istambul. Aeroporto gigantesco. Ficamos um pouco perdidos e desorientados naquele mundo diferente e esquisito, espaços de vão livres enormes, idioma inteligível, totalmente estranho, nem o inglês se lia ou ouvia. Preocupado com a balela do ship para não ser surpreendido com custos de operadora, não fiz nem uma coisa nem outra. Um grupo se formou com turistas do sul do Brasil, todos procurando saber onde era a esteira de recolher a bagagem, o tal do portão B, que caprichosamente era o último do enorme aeroporto de Istambul. Conheci o carioca Jose Guimaraes, que vinha pela Abreu e imaginei, seria um grande companheiro de viagem. Nós dois ficamos tateando atrás do portão B, e a muito custo encontramos. Não deu tempo providenciar a operadora adequada, ficamos no modo avião, sem ship e sem comunicação normal com o Brasil. Daria uma sugestão: quem for para a Turquia compre aqui mesmo o ship e não sintam-se isolados no destino. Enfim, dias 4 e 5 de maio foram de desembarque, deslocamento e trânsito em Istambul, a maior cidade da Turquia e da Europa e a única no mundo que ocupa 2 continentes, Europa e Ásia. Utilizamos o volcher do aeroporto e 40 min depois estávamos no excelente hotel ELITE WORLD. A noite adoramos sua excelente sopa de aspargos por 350 liras turcas, mais ou menos 10 euros.

Capadócia, uma paisagem Lunar

No dia seguinte, saímos de Ancara – capital da Turquia e viajamos 230 km em direção a Capadócia, terra dos cavalos bonitos. Vemos ao longo das paisagens percorridas, inúmeros manadas de cavalos, muitos rebanhos de ovinos, poucos rebanhos de bovinos. Escassa presença de pessoas isoladas ou em grupos no campo trabalhando à terra, os equipamentos empregados na maioria são de pequeno e médio porte.

Na região de Capadócia existem 3 cidades-polo turísticas, ficamos em Urgup, dentre os seus inúmeros hotéis, no Mustafa Capadócia Resort, alguns companheiros de viagem ficaram num hotel encravado numa rocha, uma caverna com todo o conforto e acomodação de um 5 estrelas. Nosso ônibus foi busca-los cedo da manhã e eu achei um barato. No nosso Mustafa, Urgup – Nevsherir, dormimos cedo com as malas arrumadas para um café as 3 hs da manhã se não quiséssemos perder o sonhado passeio de balão no dia 9, e irmos para o local adequado para subir no balão. Previsto pagarmos 200 a 280 euros/pessoa para subir se as condições meteorológicas assim o permitissem, paguei 800 euros (eu e Eunice), muito além do previsto, mas fomos ao passeio de balão ao amanhecer na Capadócia 5 em ponto da manhã, o balão subiu  com 25  pessoas, achei muito caro. Fazendo os cálculos grosseiramente, totaliza uma arrecadação bruta/balão/hora  de 10.000 euros.

Cesar e Eunice apreciando, do balão, os céus da Capadócia

Chegamos no horário, uma fila meio desorganizada, notei falta de uma escada mais segura, enfim, entramos desajeitados neste mais leve do que o ar. Um belo espetáculo é a vista daquele horizonte cedo e aparência lunar da manhã cheios de balões carregados de felizes turistas, agora mais leves, com menos euros nos bolsos. Subimos e foi emocionante, talvez uns 800 metros, de instantes em instantes, uma língua de fogo ardia no interior do balão para expandir o gás, com a zoada de um dragão que tornava a viagem mais emocionante ainda

Na descida percebi que nosso balão iria pousar entre duas colinas íngremes e de cima lançaram umas cordas seguradas pela equipe de apoio que nos conduziu a uma plataforma de pouso sobre uma camionete e esse pessoal ajudou os passageiros a descer do cesto para a terra firme. Nos receberam com algumas garrafas de champagne, após os efusivos drinques, entregaram a cada um de nós um certificado  de comprovação da viagem.

CAPADOCIA, é uma região famosa e turística da Turquia e o nome significa terra dos cavalos belos. Ressalte-se, que em toda a meseta e paisagens turcas raras vezes vi extensas criações de bovinos, vi muito cavalo e ovinos. Industrias de açúcar de beterraba, também tem bastante, plantios de oliveira, trigo, cevada. Inclusive papoulas. Existem também muitas rosas tanto em cultivos como no modo silvestres, por sinal belíssimas, vi também a bela, rara e triste rosa negra. Não vi muita gente nos cultivos, presença de equipamentos tecnológicos de médio porte. Toda a região já foi palco de inúmeros vulcões e após intensa atividade sísmica e geológica deu origem a um mundo diferente e de aspectos lunar, único.

Visitamos Goreme, outra exótica cidade na Capadocia, um antigo monastério, com inúmeras igrejas e locais onde os cristãos fugindo das forças perseguidoras do Império Romano, iam pregar na região. Se refugiaram nas cavernas, ficavam vivendo nas cavernas, juntos com trogloditas. Foi ali que tivemos as primeiras notícias da fabricação de vinhos. São Paulo pregou nesta localidade onde tem um castelo muito famoso e igrejas nas cavernas, onde também viveu São Basílio.

Neste local vimos formações vulcânicas com aspectos esquisitos e similares à silhuetas conhecidas como nossa senhora segurando um menino, chapéu de napoleão, camelos e outras. Por falta de acesso ao mar, o casamento era a hora de se formar uma poupança para começar a vida segundo os hábitos e costumes antigos, eram armênios, assírios, turcos, ouro oferecido, ao novo casal. Os sultões, govenadores, essas lideranças podiam casar com 4 mulheres e terem um anel de harém, constando de uma pedra que representava a favorita, ouro com 4 pedras, representando amor, paixão, modéstia. amizade. Ofícios eram importantes, tais como artistas, ourives, carpinteiros, por sinal Jesus tinha conhecimentos de carpintaria.

Eunice entrando em Ortahisar – Nevcehir

De saída passamos em Ortahisar, um município da região da Capadócia, pertencente ao distrito de Urgup, na província de Nevcehir, na região administrativa da Anatólia Central. Visitamos uma fábrica de tapetes, com exposição das condições de produção, mercado, enfim um panorama da cadeia produtiva e qualidade do produto muito apreciado.

A noite fomos de ônibus a uma festa na capital da província em Nevçerir, extremamente bela, participativa, muito alegre e envolvente. As músicas e coreografias são de uma alegria contagiante, bastante sensualizadas. O tempo passou rápido nesta festa, regada a comidas locais e vinhos com o pessoal da nossa mesa dançando, para mim significou um ótimo e descontraído momento da viagem.   No dia seguinte iniciamos numa visita a Ortahisar, que tem um belo castelo feito na rocha. Procurei saber a base econômica, do que viviam aquelas pessoas que habitavam as cavernas? Criação de pombos, estes produziam material para adubação e plantios onde permitiam uma agricultura descontinua e carne de pombo e apicultura. Interessante. Nos hotéis visitados notei a presença constante do mel de abelha em favos, que tem um gosto especial. Uma delícia. Depois, também exploraram alguns tipos de fibras nas planícies, fechando a cadeira produtiva da indústria de tapetes. Ainda hoje tem gente morando nas cavernas da Capadócia. Passaram-se alguns anos de dificuldades, quando descobriram mais recentemente o filão do turismo, vejam o grande filão que a indústria do turismo proporcionou a aquela gente, a sutileza, a exuberância dos balões. Tudo é motivo para se ganhar dinheiro, desde a venda de souvenirs, restaurantes, hotéis, guias, logística, marketing da poderosa cadeia de valor do mercado de passeios de balões. Tem muito o que se ver, tudo muito alinhado à riqueza cultural da Turquia. Conventos, igreja, hoteis e residencias encravadas naquelas cavernas.

Cesar em Ortahisar- maio de 2024

O filão começou a ser explorado mais recentemente, na década de 90 e com acelerado impacto no mundo todo, vide exemplo do Brasil propagado por uma novela da rede globo. Imaginem o impacto que tudo isto teve nas demandas por conhecer e visitas à Capadócia. Em Ortahisar estivemos numa vila agrícola e no vale do amor, inclusive com sua esculturas naturais conhecidas como Chaminés de Fadas.

Konya,  Pamukkale e seus tesouros

No dia 10/05 fomos para Konya, depois de percorrer na conservada estrada 250m km de Capadócia, cidade histórica e coração tradicional, onde as mulheres não se sentem bem em ver turistas mulheres sem o véu,   e ponto da antiga rota da seda. Ficamos no Grande hotel de Konya, onde vimos uma das mais belas vistas da viagem. Visitamos o museu Mevlana, nome que significa majestade da religião, é ali o mausoléu de um mestre sufi Jalai Ad-Dim Rumi,  um poeta místico e humanista que pregou a humildade, sabedoria e amor. Passamos por um vestígio de civilização Caravançarai de turcos seljúcida. Konia é uma da cidade mística e religiosa, os pontos principais da cidade são mesquitas e museus.

Chegada de Cesar e Eunice em Konya

Importante salientar que na Turquia se transpira história e antiguidades, o conservadorismo secular é muito forte, um caldeirão que contrasta culturas, ocidental, e a tradição e secularização oriental. No seculo XX, nos anos 20, houve uma clara e forte ruptura, um verdadeiro terremoto cultural, com o advento da republica através da abolição do califado dos sultões otomanos. Imaginem o choque, a ruptura que os costumes ocidentais causam naqueles nativos, que tanto precisam de divisas quanto repudiam algum desses valores. Isto para mim explica explosões de ódio que alguns não compreendem neste mundo tão diferente.

Saindo de Konia andamos 400 km para Hierapolis, cidade antiga de 300 anos depois de Cristo, patrimônio mundial da Unesco, no sentido de Pamukkale, formação de cascatas brancas oriundas de sedimentos de calcário. Eunice tirou o tênis e andou pelas águas alcalinas deste lugar. Após o almoço, visita as ruinas da cidade grega de Hierápolis, onde vimos vários locais que as pessoas faziam ginástica, teatro, império grego 200 anos ac., sítios que formam piscinas que descem em cascata numa colina e possuem águas termais, que produz o carbonato de cálcio; e depois de milênios o mármore travertino, num local chamado castelo em algodão. Tem indícios de que aqui a rainha egípcia Cleópatra adorava tomar banho na época em que esteve casada com Marco Antônio.  Um fato bastante registrado e muito lamentado foi e ainda é constatado o roubo de túmulos, os incontáveis sítios arqueológicos tiveram seus tesouros violados, desviados para as mãos de ladrões por terem valor, antes   que chegassem nas mãos de arqueólogos, e de estudiosos de história e de arte, ocultando e deturpando as verdadeiras conclusões, por serem incompletos. Isso sem falar das mudanças de cena e palcos decorrentes das intempéries climáticas e seus eventos naturais, incêndios, terremotos, ciclones  etc.

Cesar em Hierapolis

No dia 11/5 as 19 hs, um sábado, tomamos um vinho, apenas eu e Eunice no Hotel Colossal Termal Spar e paguei 75  reais. Convidei o companheiro de viagem Nelson que preferiu ir dormir mais cedo, já cansado de tanta viagem. Ele agiu muito certo. No dia seguinte, devido ao vinho, amanheci com uma forte dor de cabeça e procurei uma farmácia e não encontrei na correria. Descobri que na Turquia as farmácias não são tão numerosas, uma dificuldade encontra-las, ao contrário daqui no Brasil que tem uma em cada esquina.

Eunice na mesquita do museu de Mevlana

Éfeso e Bursa

Após mais 180 km chegamos a Éfeso e ao sitio arqueológico de Éfeso, segunda maior cidade do império romano. Para mim o ponto alto da viagem a Turquia, visitamos emocionados a casa onde morou a Virgem Maria por 9 anos no alto da colina Koressos, um santuário católico. Nossa Senhora é também muito querida e respeitada pela comunidade mulçumana. Ela morava nesta casa sozinha sempre com o apoio de João, que ficava no pé da colina e lhe prestava o necessário apoio. O nosso guia Cauã disse que a casa era impossível de ser a original de 2000 anos, mas o local teria sido preservado e reconstruído. Neste ambiente sagrado, fiquei surpreso com a infinidade de pedidos de graças a Virgem, por escrito, afixados em um muro, achei também que deveria ter um local com registro de visitantes citando pelo menos uma obrigação de cada um ter a condição de ser um bom cristão, não apenas fazer pedidos pedidos de graças.

Cesar no desfile de modas

Durante a visita a região assistimos a uma exposição, um evento com descrição e apresentação de roupas de couro, um desfile de moda em um centro exportador de couro, em Kuzadasi, em alto estilo e grande impacto, muito requintado, e interessante, tive oportunidade de experimentar uma jaqueta de couro. Além de muito caro, 500 dolares, prefiro um gibão aqui do Ceará mesmo, com um chapéu e tudo de couro. Desisti, mas um amigo de viagem, o Nelson, de porte alto ficou bastante elegante, se engraçou e comprou um, ficando parecido com um autêntico califa.

Casa onde morou Nossa Senhora

A noite me preparei todo para tomar um banho nas águas do mar Egeu, saímos despistando com toalha e sunga por baixo da bermuda para desfaçar, de repente..faltou coragem, achei a água muito fria, diferente aqui do Atlântico.

No dia seguinte saímos para a região de IZMIR a 120 km, em direção a Bursa, antiga capital da Turquia e mais 100 km até Istambul, fechando o cerco. Passamos em Bursa, antiga capital do império Otomano, uma das mais populosas da Turquia. Em Bursa existe a mesquita verde, muito bonita. Na visita a mesquita verde tivemos problemas com uma chuva torrencial, retirar o sapato e enfiar o pé na água é osso, e estávamos sem nenhum agasalho, nem capa e nem chapéu. Um problema para entrar descalço, algumas mulheres não tinham o necessário véu, obtidos com dificuldades.  Enquanto em Istambul tem a Mesquita azul em Bursa tem a mesquita verde e o nome deve-se aos azulejos verdes de Isnir que revestem internamente toda a mesquita, por sinal muito bonita. 

Eunice em Bursa

O sultão Mehemer Çclebi I fez a mesquita verde em 1421 e está enterrado junto com sua filha no mausoléu que ele mandou construir ao lado.  Também tem um monumento ao lado da mesquita que é conhecido como um lava pés.

A viagem para Istambul foi tranquila, ficamos no mesmo hotel do início desta excursão; o retorno para São Paulo e daí para Fortaleza-CE, mais de 16 horas de voo ocorreu dentro da mais alta paz e tranquilidade. Foi uma viagem de sonhos. Valeu, Turquia maravilhosa.

Perdidos em Istambul

Dia 6/5 começou efetivamente a nossa viagem de turismo. O guia nos entregou uma sacola com um dispositivo eletrônico para que ouvíssemos suas explicações quando distantes dele. Após o café da manhã, as 8, o ônibus nos levou do hotel para o coração histórico de Istambul, visita a Igreja de Hagia Sofia, que em turco significa sagrada sabedoria e foi construída entre 532 e 537 pelo império bizantino, igreja católica ortodoxa e fruto do cisma no oriente em 1054  para ser a catedral de Constantinopla. Em 1453 tornou-se uma mesquita mulçumana e dista 600 metros da Hagia Santa Irene, o nome da minha mãe, a igreja mais antiga do Império Romano do Oriente.

Após a conquista de Istambul em 1453 a igreja foi incluída nos jardins do palácio de Topkapi e não foi convertida em mesquita após sua conquista. Foi residência de sultões otomanos durante 4 séculos, simboliza o poder que Constantinopla alcançou como sede do império romano. Ela foi construída durante o reinado do imperador romano Constantino, o Grande, por volta do início do século IV. Constantino encomendou a construção da igreja Hagia Irene em nome de um santo que viveu naquele período durante os motins de Nika em 532, Hagia Irene foi queimada e destruída, mais tarde, Hagia Irene foi renovada pelo imperador Justiniano, a antiga igreja também sofreu danos por terremotos e teve que ser reformada e reconstruída  várias vezes.

Entramos no harém do palácio, do século XVI, alojamento privado dos governantes otomanos, esposas, concubinas, eununcos, filhos do sultão. Destaque na foto abaixo para Eunice nas proximidades da alcova do sultão no palácio de Topkapi.

mesquita azul

Cesar e Eunice na Mesquita Azul

O nosso guia é turco, inclusive já morou em São Paulo, tinha grande conhecimento de história, mas falava um espanhol muito rápido, talvez difícil até para quem conhece o idioma, e estava um pouco apressado para ser acompanhado pelos turistas menos atléticos, dos quais me incluo. Tanto a rapidez da expressão falada em espanhol quanto a das pernas nos fez pensar que o grupo iria para o hipódromo (a gente já estava lá), entramos num grupo errado e fomos bater num estacionamento lotado de motos, totalmente perdidos. O hipódromo já tinha sido visitado e a gente procurando com os turcos, que nada entendiam e saiam rápido, como que correndo daqueles fugir dos 3 perdidos, eu, Eunice e Sra. Lucíola, uma excelente companheira de viagem que reside em Portugal e natural do Rio de Janeiro (Copacabana).

. Harem do Palacio de Topkapi em Istambul

Eunice visitando o Harém do Palácio de Topkapi

Enquanto isso o resto do grupo já estava curtindo o bazar para onde o grupo tinha se dirigido. Então a solução seria acionar a operadora Abreu pelo telefone indicado, demoramos porque eu esperava pela D. Lucíola e vice-versa. Enfim, terminei acionando a operadora vivo, nos atenderam prontamente pedindo uma foto do local onde estávamos perdidos, foquei num comércio bem no meio de uma bifurcação de ruas, loja ROBERTO BRAVO, fácil de achar pelo nome e nosso guia rapidamente nos localizou. Estávamos muito perto do grande bazar, nos encaminhou para lá onde logo fizemos um cambio, compramos umas lembranças, foi uma visita muito rápida, prejudicada pelo tempo perdido. Encontramos uma companheira de grupo contrariada e reclamando da amiga portuguesa que estava perdida com a gente por não ter se comunicado com ela. Era a Nilse, uma senhora muito distinta também do Rio, mas que também mora em Portugal e sempre disposta a ajudar e a contribuir com o grupo, tivemos sorte, grande companheira de viagem, e no momento da reclamação, nos fez perder o foco e num instante, desgarramos do grupo novamente. Agora eram 4 perdidos em Istambul, antiga Constantinopla. Atrasamos mais uma meia hora na saída do grande bazar. Alguma coisa estava errada e eu atribuo a pressa do nosso guia e falta de uma sinalização melhor, por exemplo, usar um sinal, uma bandeirinha. Quando nos encontraram, um dos membros reclamou dizendo, perderam, perderam, não gostei e retruquei que não era culpa nossa, gerando uma certa tensão no grupo. Tomamos o ônibus e fomos para o hotel, com o compromisso de jantarmos sopa de aspargos novamente e estarmos de pé com bagagem arrumada e seguirmos viagem rumo a Ancara. Então conhecemos o importante e estratégico Estreito de Bósforo.

As 10:00 do dia 7/5 estavamos no coração do lado moderno de Istambul, área de Taksim, passamos em frente a poucas igrejas católicas da cidade.

É uma área conhecida por ter uma alegre vida noturna, lojas e restaurantes, parte europeia de Istambul, com muitas marcas consagradas, de grife. Entramos e tomamos um café no Yeniden Bekleriz. Passamos pela avenida Istikial, a mais badalada da cidade.

Alguns minutos depois estávamos no barco para atravessar e conhecer o estreito de Bósforo, não apenas um marco geográfico, mas símbolo da fusão das culturas asiáticas e europeias. Tem 32 km, a largura varia de 750 m a 3,7 km, cada curva é possível ver descobertas, capítulos, fragmentos de história. Casas de madeira, palácios suntuosos com jardins exuberantes  e mesquitas imponentes. Foi rota marítima para varias civilizações , gregos, romanos e otomano, além da mitologia onde o príncipe grego Leandro se encontrava com a sacerdotisa Afrodite. Ele liga o mar de Mármara, mar interior que separa o mar Egeu parte asiática, do Mar Negro, única saída para países como Romênia, Bulgária, Ucrania, Georgia e os portos do sul da Rússia. Devido a diferença de densidade entre esses mares, a superfície do estreito flui para o norte e a corrente submarina flui para o sul. Ao longo de suas margens nós vimos o Palácio de Dolmabahce, (de longe, a gente gostaria muito de ter conhecido por dentro), palácio de Beylerbeyi na margem asiática, a mesquita Ortakoy e o museu. O passeio durou 1 hora e 20 minutos. Após o passeio em Bósforo, fomos almoçar, na Turquia se come aves em demasia, o peixe não é saboroso como o nosso. Os pratos combinam sabores do oriente, provamos os doces turcos, kebats e o peixe fresco. As frutas predominantes são uva, o figo, o limão e uma laranjinha pequena e amarela. A maça e a pera não são tão gostosas quanto as nossas, banana vi muito pouco. Eles apreciam frutas secas em geral. Chegamos ao hotel em Ankara, capital da Turquia, as 20 hs e nos instalamos no C. P Ankara hotel resorts, um 5 estrelas de R$ 538 a diária num local estratégico vizinho a um shopping o Ankamall onde Eunice apressadamente, num golpe de sorte, comprou um bom tênis por 3000 liras turcas, cerca de R$ 508. Aprovou esse tênis e o usou a viagem inteira, o que ela vinha usando se desmanchou de tanto a gente andar atrás do guia Cauã. Entre o hotel e o shopping surgiu uma pedinte, foi a única vez na viagem que vi a prática da mendicância. Ressalte-se que aparentemente inexiste na Turquia uma grande disparidade socioeconômica que estamos acostumados a ver por aqui no Brasil.

Cesar em algum lugar no estreito de Bosforo

Fomos dormir cedo para acordar com disposição no dia 8 com as malas prontas.  Interessante é a hora da reza, todos ouvem o azan, chamado para as orações 5 vezes por dia, começando na alvorada e seguindo a linha do sol ao longo do dia.

As 9 hs estávamos em Altindag- Genclik Parki no bairro de  Cancaya, fomos ao mausoléu de Mustafa Kamal Ataturk, líder da guerra de independência e primeiro presidente da República fundada em outubro de 1923. Ataturk foi além de político um gênio militar e morreu em 1938, foi responsável pela independência e modernização do Estado turco. O local é presença obrigatória de todos os chefes de Estado e de governos que visitam a Turquia. 

 O Mausoléu de Atatürk foi construído por Emin Onat e Orhan Arda. Eles venceram o concurso para a sua construção, que abrange 75 ha, haviam 49 participantes no certame. Antes da chegada ao mausoléu, você anda em um caminho longo forrado com 24 estatuas de leões, então em seguida você vai encontrar uma grande praça e o mausoléu. No interior, um sarcófago de 40 toneladas. O túmulo do herói e fundador da república é realmente no porão.

CONHECENDO O CANADÁ

Eu e Eunice viajamos pela LATAM até São Paulo e daí em voo direto de 9 horas para Toronto, maior cidade do Canadá com mais de 5 milhões de habitantes. Fomos pela Air Canada. Seguimos tanto na ida quanto na volta naquela primeira fila da classe turística com bom espaço para esticar as canelas. É uma grande vantagem e reduzido incremento no preço da passagem.

Chegamos cedo em Toronto e após um rápido trâmite burocrático seguimos até os abrigos de ônibus depois da segunda porta pesada de vidro grosso do gigantesco aeroporto. Senti um vento polar e de imediato percebi que não calculei direito a média de temperatura do lugar. Sorte que de última hora ainda em Fortaleza resolvi vasculhar umas roupas pesadas de viagens anteriores, achei uma segunda pele e um casaco surrado que adotei como farda inseparável. A logística de transporte do aeroporto é boa, primeiro as malas, carimbo de entrada no passaporte e finalmente ponto do ônibus 900. O dinheiro deve ser contado em moedas totalizando U$ 2,25 canadenses, os motoristas primam pela cortesia. Contamos com a ajuda de uma colombiana no aeroporto e um cearense que estava no ônibus, o rapaz era de Tauá-CE e me deu algumas dicas de como me deslocar, achei este encontro uma espécie de boas-vindas na chegada ao País. O ônibus nos levou até a estação final do metrô, linha verde Kipling, e 15 estações depois, finalmente Sherbourne. Saindo da estação atravessamos uma rua e seguimos na Bloor Street, mais à frente na esquerda entramos numa galeria e saímos numa rua defronte ao nosso hotel. Eunice ficou com as malas e sacolas na galeria, atravessei a rua estreita com minha mochila e fui apertar o botão de uma campainha, após abrir um portão e subir alguns degraus. O recepcionista gordinho e baixote do hotel saiu fumando com uma surpreendente bermuda naquele frio e me disse que só poderíamos ingressar ali a partir das 15 horas. Outro problema era a falta de um adaptador para carregar o celular, sempre me esqueço disso. Esta desconfortável situação de passar 5 horas ao relento no frio ou na galeria e sem comunicação foi rapidamente revertida, o sujeito num gesto inesperado com a cabeça e apontando para o quarto concordou com a nossa entrada antecipada. Retornei a galeria, dei a boa notícia para a Eunice e imediatamente pegamos as malas. Também comprei o adaptador na portaria do hotel por 5 dolares canadenses, lá os 2 buracos da tomada são mais próximos um do outro. Atravessamos a rua estreita, subimos os degraus e entramos no hotelzinho onde paguei de bom grado os 1.430 dolares canadenses em cash, e nos instalamos no quarto. O hotel tem 40 quartos com banheiros coletivos, mas fizemos reserva antecipada para ficarmos num dos quartos com banheiro privativo e pagamos um pouquinho mais.

Eunice reclamou que não estava preparada para um frio daquela magnitude. Após uma arrumação superficial no quarto deixamos a bagagem e como era cedo fomos andar na St. Bloor até a St. Yonge, por sorte o mais popular cruzamento de Toronto. No caminho passamos pela galeria e conheci o melhor croissant do Canadá, num MacDonald, sempre eu ia lá conferir quando podia. Bom, no cruzamento encontramos um excelente centro comercial. Eunice comprou um casado perfeito, róseo, barato por já ser final de inverno. Enfim, o tempo passa e as coisas vão se arrumando.

Toronto privilegia quem quer visitar os lugares caminhando, pedalando. O transporte motorizado vem em segundo plano. Para nós o metrô é tudo de bom, fantástico, a mobilidade urbana é perfeita. Algumas estações próximas são ligadas por ônibus sanfonados, podem ser distantes do trajeto natural do metrô, mas ligadas pelo conhecido street car. Além do transporte urbano excepcional as pessoas circulam com aquela sensação de segurança, percebi que são solidárias. Enfim, existe infraestrutura, cuidado com o cidadão e educação.

Loo no segundo dia vimos que em frente a cidade existem várias ilhas e escolhemos tomar um barco para conhecer a ilha central de onde poderíamos apreciar toda Toronto e tivemos a visão superior da ilha através de um teleférico.

Cesar e Eunice conhecendo a ilha em frente a Toronto – barco ao fundo

Nossa primeira providencia turística após conhecer a ilha foi comprar um CityPass e então ficamos obrigados a conhecer 5 ícones da cidade. Ele permite a entrada na Casa Loma, zoo, Centro de Ciências, museu e CN Tower. Visitamos a casa Loma, o maior castelo da América do Norte construído por um magnata na esperança de um dia hospedar os reis da Inglaterra, fato que nunca ocorreu. Sir Henry contratou um arquiteto em 1911 e três anos depois tinha 200.000 m² de castelo em 5 acres de terra no topo de uma colina. Ele e a mulher Lady Mary foram obrigados a abandonar o castelo 10 anos após a sua construção por um colapso financeiro. Fomos nesse mesmo dia a estação do metrô a tarde e visitamos o Royal Ontario Museum, um expressivo passeio, tem mais de seis milhões de peças e 40 galerias, com mais de 100 anos. O lugar é um convite para conhecer a história da melhor forma possível, passamos apenas umas 4 horas e óbvio, vimos o superficial. Uma das galerias mais impressionantes é a dos fósseis de dinossauros, o Nível 2 do museu expõe uma série de esqueletos dos maiores dinossauros que existiram na Terra, como os Barosauros. A sala fica próxima da Reed Gallery of the Age of Mammals, que resgata através de fósseis as diversas espécies de mamíferos que viveram na era glacial. Os destaques são o hyracotherium (criatura parecida com um cavalo, do tamanho de um cachorro e que viveu no Hemisfério Norte há 50 milhões de anos) e algumas espécies de mamíferos que viveram em Ontário. Na  Gallery of Birds, uma coleção de réplicas de centenas de pássaros, onde é possível tocar nos ovos e observar ninhos de diversas espécies. Perto dali está a Bat Cave, uma cópia perfeita de uma caverna jamaicana, com inúmeros morcegos mecânicos que se movimentam e emitem sons. É um dos lugares prediletos das crianças. A caverna passou por uma renovação em 2010, e tornou-se ainda maior e mais emocionante. Uma outra seção é a Gallery of Hands-On, onde o visitante pode testar diversos equipamentos usados pelos pesquisadores na exploração da biodiversidade. Entre as atrações estão alguns animais empalhados, gavetas cheias de insetos e vitrines com animais que se movem, dando a impressão de serem reais. Na Life in Crisis Gallery, estão diversas réplicas de animais em extinção, como o rinoceronte branco, o panda gigante e a tartaruga de casco de couro. Recentemente, essa seção foi premiada pela Associação de Designers de Interiores de Ontário. No Earth Rangers Studio (uma espécie de estúdio de guarda florestal, aberto de terça-feira a sábado), instrutores dão explicações sobre diversos animais. O Teck Suite of Galleries: Earth’s Treasure é onde estão expostos uma série de minerais, pedras preciosas e alguns tipos de meteoritos de todas as cores e tamanhos raro de meteoritos que contém um dos mais velhos e primitivos materiais orgânicos relacionados com a formação do sistema solar. No Nível 3 do museu encontra-se a Gallery of Africa: Egypt, onde estão situadas as múmias, entre elas a Djedmaatesankh. Existe uma hipótese de que a pessoa tenha morrido há mais de 3 mil anos em decorrência de uma dor de dente. Há também raros objetos, como um busto da rainha Cleópatra, todo feito de granito. Outros destaques no Nível 3 são a Gallery of Rome (com mais de 500 peças que mostram a influência da Roma Antiga em diversas culturas), Gallery of the Middle East (que explora a história do Oriente Médio) e a Gallery of Greece (onde diversos objetos como vasos, moedas e joias revelam a riqueza e criatividade histórica da Grécia).

No dia seguinte fomos conhecer a CN Tower Toronto com 553 metros de altura, é possível ter uma vista completa da cidade e visitamos 3 de seus 4 níveis de observações. Saímos do nosso hotel, fomos até a estação Union e chegamos facilmente na torre.  Almoçamos no restaurante circulando em 360º com uma vista magnífica. Em um de seus níveis, destaca-se o mundialmente famoso Piso de Vidro, onde, olhando para baixo, é possível ter a dimensão da altura do observatório e para quem tem medo de altura tem-se aquela sensação de queda iminente. A viagem no elevador panorâmico é uma atração à parte. A torre estava lotada de turistas. É um passeio imperdível em Toronto. Neste dia também formos ao aquário de Toronto, conheço muitos aquários mundo afora, mas o de Toronto se destacou na minha memória. Tive inclusive a sorte de em 1998, conhecer o aquário de Lisboa quando da inauguração do Parque das Nações, quando Portugal decidiu recuperar uma área degradada de sua capital e inaugurar o marcante evento. O de Toronto se destaca por dois motivo: i) Tem uma esteira que a partir de certa etapa vai levando o visitante por toda a sua extensão do aquário, simples, cômoda e belíssima maneira de apresentar, ii)  Outra surpresa, vejo em cima de forma surpreendente um enorme tubarão passando sobre nossas cabeças, vejo uma tartaruga, e de lado uma infinidade de criaturas aquáticas dos mais variados tamanhos, cores e formatos. Ideal era se fosse um túnel no miolo do aquário permitindo se visualizar os indivíduos nadando sob os nossos pés dando a mesma impressão de transparência vista na torre comentada antes. O zoológico foi para nós a grande decepção do CityPass, talvez a inconveniência do horário, vimos apenas umas hienas, uns patos e cavalos.

Estávamos cansados, nosso cotidiano era mais ou menos o seguinte: acordávamos tarde da manhã, preparávamos o café e a cozinha estava quase sempre disponível, as nossas coisas eram identificadas e acondicionadas na geladeira ou num armário coletivo. Eunice encontrou-se com uma senhora da África do Sul e trocaram algumas palavras. Tinha um russo, ucraniano, sei lá o quê, incapaz de dar um cumprimento, mesmo um sutil ou leve sorriso. Ele estava sempre tomando uma bebida num copo com inscrições naquele alfabeto cirílico. Tinha um semblante sofrido e era extremamente arredio.

Saíamos para os passeios tarde da manhã, passávamos o dia fora explorando a cidade considerada pela revista Economist uma das cinco melhores do mundo para se morar. Chegávamos às 20 horas e ainda estava sol forte, claro, e era o momento de ir fazer compras num supermercado na galeria (bananas, laranjas, pão leite, café, água, queijo, salada de frutas, presunto, ovos), enfim, o básico para um café da manhã e jantar leve. O almoço era nas saídas, onde a gente se encontrava sempre tinha um local. Cada vez que eu ia para o supermercado tinha o cuidado de levar as sacolas de plástico no bolso, depois de 2 vezes pagando pela bendita sacola aprendi a lição. Quase todos os dias a gente chegava e via o russo com um violão na entrada do hotel fumando e totalmente à vontade numa temperatura típica de um frizer. As vezes aquele recepcionista estava fumando e mexendo no celular com sua improvável bermuda num frio de rachar.

Circulando de norte a sul, leste e oeste na cidade obtivemos a informação da monumental cadeia de lojas num subterrâneo na estação de metrô Dundas, tínhamos passado no local, mas não sabíamos desta peculiaridade. Nesse dia, fomos a uma escola de idiomas e entender como seria a estratégia e principalmente os custos para a Andrea eventualmente estudar inglês em Toronto. Aparentemente achei as condições deveras interessantes e viáveis. À noite, estava no hotel, pronto para ir as compras na nossa galeria então parei para conversar um pouco com o recepcionista, ele me apresentou para 2 irmãs brasileiras, uma delas mais idosa com interesse em vir morar no Canadá, ela tinha trabalhado em empresa aérea e me surpreendeu com o bom nível de seu inglês. A outra estava com um calo terrível de tanto andar no Toronto Eaton Centre. Conversamos rapidamente e entendi o que ela queria: dividir um quarto com uma pessoa que pudesse compartilhar os custos fixos de manutenção em Toronto por uns tempos, assim, mais uma vez me lembrei de Andrea. Retornei ao nosso apartamento e pedi a Eunice pronta para dormir que conversasse mais detalhadamente sobre isto com essas senhoras enquanto eu iria fazer as minha tradicionais compras. Seria mais uma possibilidade de apoiarmos Andrea, ressalte-se que ela recentemente manteve contato via e-mail com Andrea tratando desse assunto. Bom, no decorrer da conversa perguntei a moça o que ela achava de morar em Quebéc, ela me disse que só tinha velho, ela preferia Toronto, então percebi que ela queria e o que queria obter no Canadá.

No dia seguinte fomos caminhando para Dundas, cerca de meia hora do hotel, conhecendo vários locais e um me chamou atenção. Era uma fila com cerca de 20 pessoas num local com a placa Tokio Smoke, fiquei curioso mas segui em frente.

Fiquei realmente impressionado com o tamanho do Eaton Center o principal centro. Achamos o local muito bom e passamos a frequenta-lo quase diariamente. Um problema, as opções dos restaurantes são poucas fora as da culinária chinesa. Uma pernambucana me disse que realmente sentia este problema, tinha casado com um árabe e teria tido problemas intestinais em decorrência dos temperos.

Nesta praça da alimentação presenciei a situação de um rapaz jovem que estava dormindo nos bancos e fui testemunha de como são feitas a abordagem do recinto de pessoas inconvenientes que existem em quase todo local público. O rapaz foi chamado por uma segurança com tapinhas delicadas no rosto e não acordou, assim, com o apoio de mais 3 colegas foi colocado numa maca, contido por 2 cintos e retirado do local com bastante suavidade. Outra ocorrência que vi, foi um sujeito abrir sua mochila e retirar o produto do roubo em frente a dois policiais com aparência oriental, sendo conduzido discretamente para um local reservado. Foram as únicas ocorrências um pouco mais graves que eu vi em Toronto, embora aqui e acolá, principalmente no metrô, sempre surgiam pessoas com aspecto suspeito. No entanto, imagino que as condições climáticas, sociais, favorecem muitos casos de solidão e tristeza, e isto traduz-se em grande sofrimento humano. Acho que nos trópicos este problema é mais atenuado pela presença marcante da luz solar.

Para não confundir, existe uma outra estação Dundas, a West, reduto de portugueses e brasileiros e onde almoçamos uma comida típica, utilizamos o ônibus em integração com o metrô. Valeu a viagem.

Através do nosso hotel em articulação com uma empresa de turismo fomos conhecer as cataratas do Niágara, fronteira com os EUA, 2 horas em viagem de ônibus confortável. A princípio fomos a um vinhedo para conhecer e experimentar um vinho canadense, depois seguimos até Niagara Fall e ficamos diante de várias atrações, Skilon Mirante, passeio de barco e mais umas 10 opções. Preferimos simplesmente andar pelo calçadão, fotografando e filmando aquele espetáculo, recebendo no rosto agradáveis respingos da cachoeira. Neste dia almoçamos num restaurante defronte as cataratas. O melhor da viagem estava no retorno. Conhecemos Niagara on the Lake, e o ônibus seguiu ir pela Niagara Parkway. Por que? Por vários motivos. O principal é a bela paisagem dessa estrada que vai contornando o Rio Niagara. Além disso, observamos muitas vinícolas no caminho. A cidade é encantadora, calma e sua beleza é marcante. Foi um dia muito incrível, tranquilo e extremamente agradável para visitar o Niagara.

Cesar ouvindo os sons do Niagara

No retorno à Toronto tivemos mais uma surpresa na estação UNION. Compramos a passagem para andar de trem pelo Canada. Por 370 dolares canadenses compramos 2 passagens de trem, Toronto para Sarnia, retornando até Montreal passando na volta por Toronto novamente. Essa viagem de 15 horas era uma incógnita principalmente para Eunice, mas foi surpreendentemente tranquila e alegre. Saímos da estação Union em Toronto às 17 horas do 12º dia e chegamos as 22 horas em Sarnia, uma pequena cidade de 70 mil habitantes fronteiriça com os EUA e tendo como base econômica a indústria de petróleo e gás.

Eunice e seu sobrinho em Sarnia – maio de 2019

Lá mora Bruno, sobrinho de Eunice, com sua mulher e filha, ele trabalha com eletrônica, sua mulher com preservação ambiental e sua filha estuda num bom colégio e gosta de futebol. São muito agradáveis e hospitaleiros. Quando chegamos estavam nos esperando na estação do trem e após 5 minutos já estavámos hospedados em sua confortável casa. De manhã, era domingo 12 de maio, fomos tomar o café da manhã numa marina, local belíssimo.  Depois eles gentilmente nos mostraram a pequena e bela cidade, destacando-se área de preservação, reservas e uma enorme planta de geração de energia solar. A noite Bruno preparou uma costela assada de altíssima qualidade e todos nós botamos as conversas em dia em torno de 2 garrafas de um bom vinho canadense. No dia seguinte era uma segunda feira, eu e Eunice fomos dar uma volta nas proximidades e a noite fomos a uma pizzaria e a atendente perguntou se a gente queria costela. Ficamos tão impressionados com o churrasco do dia anterior que concordamos, mas o que a moça nos trouxe foram uma stellas. Rimos da situação, aproveitamos e enchemos a cara de cervejas. No dia seguinte retornamos e isto nos deixou saudades da família, da acolhida, e da verdadeira e autêntica alegria que eles tiveram em nos receber em Sarnia.

Montreal

Saímos de Sarnia numa terça, 14 de maio, Bruno e sua família nos deixou saudades e boas lembranças, foram muito alegres os dias naquela simpática cidade canadense. No caminho de volta vimos uma mensagem de sequestro de uma menina, a notícia é divulgada no celular de todos que moram na região. Na viagem de 10 horas num trem confortável vi da janela panorâmica vilarejos, campos cultivados, campos nativos, florestas, lagos. Fomos pela  Via Rail, com restaurante e bar, venda de lanches, a viagem foi muito boa e nostálgica porque na minha infância anualmente a gente ia de trem nas férias de julho de Fortaleza para a casa da minha avó Mariinha no Quixeramobim, coração do Ceará, que desativou o transporte ferroviário.

Minha única dúvida era sobre a baldeação em Toronto, na estação de Union, como identificar o trem que nos levaria a Montreal naquele labirinto? Eles são muito organizados, foi tudo tranquilo, mudamos rapidamente de trem, infelizmente ficamos num lugar desconfortável sem aquela vista panorâmica das viagens anteriores.

Eunice no Jardim Botânico de Montreal

Montreal é um dos mais importantes polos (econômico e científico) da América do Norte, destacando-se a robótica. A população de Montreal é muito educada, com destaque para o seu ensino de alta qualidade. Chegamos cansados de 10 horas dentro de um trem e fomos direto ao hotel quando nos deparamos com uma figura, daquelas inesquecíveis, o recepcionista do hotel EPIC Montreal parece com aqueles personagens de desenho animado, nariz afilado, educadíssimo, num francês caricato, falava pausadamente, sempre com um sorriso permanente nos lábios. O Hotel fica bem no centro da cidade, elegantíssimo, restaurantes animados e sempre lotados, típicos de um ambiente próspero, dinâmico, ali não existe vestígio de crise.

De noite vivenciamos uma refeição no hotel, foi uma novela termos acesso ao prato principal do jantar, todo aquele ritual, para mim não passa de frescura e sempre me causa bastante dor de cabeça e no bolso. Contra a minha natureza questionei os garçons, fora o jantar tinha pago 2 taxas, achei que a gorjeta estava incluída. Com muita demora, cara feia e má vontade o garçom me disse que faltava a gorjeta. Então caiu a ficha, as duas taxas significam na verdade, o imposto devido ao estado do Quebec e o outro é o imposto do país, Canadá, o que achei muito justo. Isto me explicam as carrancas dos garçons que enfrentei em toda a viagem, eu não sabia disso e daí em diante não passei mais por esses dissabores. Foi a única vez que eu não vi sorriso no rosto do nosso recepcionista que a tudo atentamente acompanhava. Ensaiamos dar uma volta nas proximidades do hotel EPIK cercado de belos restaurantes e cafés. Desistimos devido ao frio intenso. Fomos dormir cedo no apartamento contíguo a portaria, meio esquisito. Uma coisa é certa: Recomendo muitíssimo o hotel EPIK em Montreal, sem medo de errar.

Cesar e Eunice na catedral de São José em Montreal

De manhã, após uma noite e café reconfortantes fomos estudar o traçado do metrô de Montreal. Neste transporte visitamos os principais pontos da cidade, estádio olímpico, Museu, jardim botânico, infelizmente não tinham mais aquelas figuras extraordinárias de animais construídos com plantas aparadas, trabalhadas, disseram que esta atração só ocorria em ocasiões especiais. Não entendi isto muito bem, grande falha do plano turístico. No dia seguinte, de metrô visitamos a bela Catedral de Saint Joseph´s Oratory, foi um dia de oração, emoção, superação e gratidão por estarmos ali com relativa saúde. Subimos os inúmeros degraus até chegarmos, numa igreja, sobre outra igreja no topo de um morro, como isto pode acontecer após uma viagem tão longa, fiquei até impressionado com o nosso pique. E vejam, não sou lá muito religioso, mas como cearense e recordar que o meu pai e familiares são todos devotos de São José, consegui força e disposição para dedicar o dia ao santo padroeiro do Ceará. A igreja e monumentos são de uma beleza impressionante e de uma contagiante energia. Lembro-me que na chegada do metrô, uma jovem senhora nos indicou o melhor caminho para aquela igreja, e de longe ficava sinalizando, apontando o melhor itinerário. Isso ficou na minha lembrança simbolizando uma espécie de fada.

Na volta almoçamos num restaurante simples, enquanto Eunice esperava nossa refeição fui num mercadinho comprar algumas coisas para lancharmos no hotel, inclusive frutas e água. Nesta noite assistimos a um belíssimo espetáculo de sons e luzes na catedral de Notre Dame, cerca de 15 minutos caminhando do nosso confortável hotel EPIK. Infelizmente, ao retornarmos, Eunice viu um inseto desconhecido que se escondeu embaixo do colchão, e passou essa noite preocupada. Eu não vi absolutamente nada e dormi a noite toda.

No outro dia acordamos tarde e fomos ao meio dia para uma estação de metrô onde encontramos o ônibus que nos levaria para a cidade de Quebéc.

A CHARMOSA QUEBÉC

Fiquei curioso para saber por que no Quebéc o idioma oficial é o francês. O Canadá foi colonizado por duas grandes potencias, a Inglaterra e a França. Até 1759 os franceses predominavam nesta província, mas após a batalha das planícies de Abraham, passaram ao domínio Inglês. Mais recentemente houve a reconstrução de raízes culturais de forma pacífica e o Canadá é hoje um País aberto, plural e com boa qualidade de vida. Fiquei encantado com Quebéc, nosso hotel ficava próximo ao portão da cidade antiga, extremamente elegante, com prédios e arquitetura de muito estilo e charme. Viemos de Montreal de ônibus, uma viagem tranquila. Da rodoviária ao hotel pegamos um táxi e o motorista não quis me dar o troco direito, dei 20 dolares canadenses e ele me veio com umas poucas moedas. Não quis me aborrecer com o sujeito, estava meio cansado, mas como causa má impressão ao turista atitudes como esta. O Hôtel Manoir de l´Esplanade está situado num local de altíssimo luxo, como afirmei, bem na porta da cidade velha, perto do prédio do parlamento de Quebéc.  

Cesar e Eunice no portão de Quebéc

Fomos recebidos delicadamente por uma senhorinha que nos forneceu a chave do apartamento e foi logo dando as dicas de uma praça central nas proximidades, com um funiculaire que nos levava a pontos turísticos importantes no porto. Após ingressar e acondicionar malas e pertences, enviei um zap para uma professora da Universidade de Quebéc, que sempre troca algumas ideias comigo, filha de um amigo que trabalha aqui na CEASA de Fortaleza. Ela me disse que o pai dela estava passando uns dias em Quebéc. Essa professora é cearense, foi muito gentil conosco, passou no hotel após as 20 horas, certamente cansada de um dia de trabalho e com visitas importantes em casa, se dispôs a dar uma volta panorâmica e nos mostrar os pontos principais da bela Quebéc. Seguimos na rua Alée, eixo central da cidade, após um arco, O Grande Alée Barrée que nos leva a 2 gigantescos shoppings contíguos. Ela nos mostrou a universidade onde trabalhava, descrevendo as várias unidades e após nos indicar e descrever outros pontos relevantes nos deixou numa rua, uma espécie de polo gastronômico. Foi ali que degustamos a melhor costeleta de porco da viagem ao Canadá, diferente dos temperos chineses. Ressalte-se que nada contra a comida chinesa, mas, todo dia ninguém aguenta.

Eunice num Polo gastronômico de Quebéc.

No dia seguinte passeamos na bela praça do parlamento próxima do nosso hotel, com destaque para uma estátua de Gandhi. Talvez este monumento sinalize algo relacionado ao domínio britânico no passado. Em Quebéc conhecemos os lugares apenas caminhando ou através do UBER, muito prático. No dia seguinte fomos no sentido oposto ao roteiro da professora cearense e visitamos uma outra praça onde fica o belo hotel Fairmont Le Cháteau Frontenac, centro de turismo, Funiculaire, Musée du Port e outras atrações, ali, tudo pertinho do nosso hotel. Aproveitamos e adquirimos o direito a um passeio naqueles ônibus panorâmicos com fone de ouvido e descrição em português de todos os principais pontos turísticos de destaque da cidade de Quebec.

Cesar e a estátua de Ghandi-Quebéc

Paramos para um lanche num centro comercial importante e tivemos de esperar uns 40 minutos pelo próximo ônibus. Nesta oportunidade presenciamos a chegada de inúmeras caravanas com crianças que visitavam um museu naquele centro, Eunice me alertou da pratica pedagógica da frequência de crianças à museus, tudo muito organizado e de forma disciplinada. Após o city tour em Quebec, almoço e rápido descanso no hotel seguimos para a visita rápida à cidade baixa no funiculaire, por sinal numa tarde chuvosa e fria. Retornando ao nosso hotel, não deixávamos de apreciar como é bela aquela cidade, quanto encantadora e cheia de arte é Quebéc, de longe a mais bela, pelo menos aos meus olhos, da visitadas no Canadá. Dava gosto caminhar e deixar o tempo passar pausadamente observando a beleza em cada esquina, em cada prédio, árvore e na tranquilidade e expressão de surpresa e contentamento no rosto das pessoas.

No último dia visitamos aqueles enormes Shoppings contíguos, e aí a gente se perde. Todos iguais, aquelas marcas famosas, o visual homogêneo da globalização, tanto faz se localizar em Paris, Ancara, ou aqui no RioMar em Fortaleza, ou na própria e verdadeira Quebéc. Numa cidade como aquela, acho que se perde nosso caro e precioso tempo andando em Shopping.

Seguimos a noite para o aeroporto de Quebéc onde pegamos o avião de retorno para Toronto, reconhecendo o caminho de volta já percorrido do nosso hotel, ocupando o mesmo quarto que havíamos deixado dias atrás. Nós deixamos 2 malas guardadas no hotel como uma cortesia da gerencia e tivemos acesso as mesmas através de uma senha.

No dia de volta ao Brasil fomos para o Distillery District, era feriado em Toronto, uma segunda feira antes do dia 25 de maio em honra ao aniversário da rainha Vitória do Reino Unido. A data é simultaneamente DIA DA RAINHA, um FERIADO, e a data início do verão do País. Aquele frio intenso tinha ido embora. Antes de sairmos conhecemos uma moça da Paraíba que estava há 2 anos no Canadá, morando em Montreal e iria dar um passeio com sua amiga francesa neste feriado. Ela se mostrou bastante simpática e amigável com a gente.

Seguimos para o District, a mais preservada arquitetura vitoriana da América do Norte, onde antes era uma fabrica de rum e Bourbon, hoje um dos mais vibrantes endereços de Toronto. Tem restaurantes, cervejarias, galerias, estúdios de arte, cafés, teatros, escritórios, festivais de musica e fabrica artesanal de chocolate. Almoçamos com vinho e voltamos para o nosso hotel de UBER. Tivemos tempo de reencontrar a moça da Paraíba que nos contou alguns dissabores que tinha passado em casas de família em Montreal, mas que agora estava bem no Canadá. Tivemos uma despedida afetuosa com a moça. Fomos para o aeroporto e a estação não tinha escada rolante, as pessoas em várias oportunidades, ajudaram e não deixaram Eunice carregar sua mala. Saímos em voo direto para São Paulo. Finalmente, as 17 horas do dia 22 de maio chegamos à Fortaleza. Foi tudo uma grande experiência.