HAVANA

Eunice se despediu do casal de médicos que ia para o congresso de neurologia em  Chicago. Sempre que surgia um problema durante a viagem ela dizia: que diferença. Partimos do Panamá às 10 horas do dia 22 de julho de 2018, duas horas depois estávamos em Havana. Na chegada houve um pequeno burburinho e mistura de filas de imigrantes e nativos, revisão de bagagem em busca de armas, checagem de dados. O aeroporto estava lotado. Enfim, entramos oficialmente na ilha.

Um jovem representando a operadora nos recepcionou às 15 horas e nos encaminhou para uma van e nosso motorista de meia idade. No percurso ao hotel começou informando sobre a maravilha que iríamos conhecer em Varadero, fez alguns elogios espontâneos ao socialismo e comentou sobre políticos brasileiros que estiveram 3 ou 4 dias antes  em Cuba num encontro relacionado ao fórum de São Paulo.  No caminho, o primeiro susto. Valdeci perguntou sobre o motivo de uma gigantesca fila de pessoas sob um sol escaldante, de rachar os miolos e nosso loquaz motorista falou de forma rápida como se quisesse mudar de assunto: gelado. Insisti na pergunta e ele respondeu em inglês meio embaraçado, ice cream. Descobrimos que era uma fila para comprar sorvetes e ficamos admirados. Chegando ao hotel, o homem nos pediu um chocolate.

Nosso hotel  era o NH Capri La Habana e ficava a 2 ou 3 quadras da praça da revolucion,  Calle 21, entre N e O, 10.400, Havana – Cuba. O hotel é bom e o serviço de qualidade.  Entramos no apartamento e logo surgiu um probleminha. Eu queria deixar nossos passaportes e valores no cofre e andar com a cópia, parece até que isso é errado, andar com copia, mas tenho o maior ciúme do meu passaporte. O cofre estava quebrado, liguei para a recepção e o enviado não resolveu o problema. Resumindo: tiveram que mudar a porta do cofre com o apoio de 3 funcionários, após mais ou menos horas de peleja. Eu e Eunice ficamos no quarto com uma vista parcial de Havana, prestei atenção numa garota tomando de modo compenetrado um banho prolongado em pequena imitação de piscina que quase não cabia na sua área de serviço no prédio ao lado. Na portaria do hotel fiz a minha primeira operação de câmbio: troquei US$ 100 canadenses por 70 CUC, Valdeci trocou uns dólares americanos pagando uma taxa de 10%. Depois fiz uma troca com uns poucos Euros e aí, segue  uma dica: A melhor vantagem para o turista é cambiar a moeda canadense. Mas, em Cuba tem outra moeda, o CUP, utilizada pelos cubanos, 24 vezes mais desvalorizada que o CUC. Uma pegadinha é você pagar uma despesa em CUC e receber o troco em CUP, são notas parecidas. Vi comentários sobre isso, mas, conosco tal fato não aconteceu em Cuba. Achei os funcionários do hotel bastante educados e simpáticos, tinha uma pessoa que trabalhava lá que me respondia algumas perguntas meio indiscretas, sob as vista de um indisfarçado espião na entrada principal, como por exemplo, qual a renda que prevalecia em Cuba?. Ela me disse que era 25 a 30 dolares, mas tinham pessoas que ganhavam cerca de 12 dolares mensais do Estado, uma única vez num dia certo. Para sobreviver tinham que vender e revender roupas e sapatos, outros inventavam as mais diversas maneiras de ganhar algum. Perguntei sobre liberdade e ela me disse que isto era complicado de responder, como quem diz – não me comprometa. Após o conserto do cofre desci para o térreo, sai do hotel e fui tentar comprar pão para o lanche. Na outra quadra encontrei uma padaria extremamente modesta e com prateleiras vazias, comprei um pacote de pão barato, em torno de meio CUC. Não tinha manteiga para vender, mas tinha água.

Eu estava com 70 CUC no bolso e no começo da noite fomos jantar e depois conhecer os arredores. Do lado de fora do hotel, um cubano de terno, exageradamente solícito e amigável nos induziu a entrar num restaurante em frente, talvez uma forma de conseguir alguns trocados complementares ao seu seguro e parco rendimento oficial. Negociava também táxis. Gosto de ser bem recebido, mas detesto exageros. Devo reconhecer a excelente qualidade do serviço e do jantar. A cozinha cubana é muito requintada, um prato individual custava em julho de 2018 entre 12 e 15 CUC e a conta vem sempre sem nenhum adicional, não tem gorjetas como por aqui. Engraçado, quase tudo tem gorgetas, menos restaurantes. Achei Havana muito bonita, as ruas são bucólicas, limpas, pelo menos aonde a gente estava, pouco transito em relação ao que estamos acostumados e os carros da década de 40 , 50 e 60, tem um certo romantismo nostálgico, embora aqui e ali existam carros modernos  no ponto de táxi em frente ao nosso hotel. Fomos dormir bem cansados.

No outro dia fomos fazer um city tour e me chamou logo atenção o aspecto dos prédios à beira mar, extraordinariamente belos, quase todos com aspecto em reconstrução, daquelas reformas que nunca acabam. Alguns desses edifícios estavam parcialmente ocupados. Passamos em frente a embaixada americana que se encontrava fechada, talvez devido a algum entrevero com o Trump. O nosso guia só falava em aspectos históricos que ocorreram em Cuba antes da revolução. Passamos no Centro e locais históricos de Havana, no bar onde o americano Hemingwey, premio Nobel de literatura batia o ponto. Floridita escolheu morar em Cuba, convivia tomando seus tragos e onde escrevia seus romances. O bar estava lotado e passei apenas em frente, dei por visto. Mas, ninguém, ninguém me respondeu satisfatoriamente sobre aquelas mansões e edifícios extraordinárias na beira mar, apenas soube mais tarde que as aparências de reforma eram na verdade o efeito devastador da maresia que atacava as ferragens das construções. Achei um desperdício, aquilo tem fantástico potencial turístico, gerar renda e emprego. Tiramos umas fotos na praça da revolução e perguntei a um cubano que me deixou entrar no seu carrão antigo, muito bonito, qual o valor daquele carro, ele me disse que valia 50 mil dólares, achei um exagero. No centro da Praça da Revolução, onde o Fidel fazia seus prolongados discursos, fica o memorial José Martí com uma torre de 109 metros de altura. A praça recebeu um milhão de pessoas por ocasião de visita do Papa João Paulo II em Cuba em 1998.

Cesar na Praça da Revolução em Havana.

No porto de Cuba destaca-se  o Castelo de São Salvador de la Punta, enquanto do outro lado da Baia se encontra o Castelo dos Três Reis Mágicos do Morro, ao que se alcança via um túnel por baixo do mar. O castelo é uma das maiores fortificações espanholas no Caribe. Construído entre 1589 e 1610 para defender o porto dos ataques dos corsários e piratas mostra uma obra emblemática de engenharia daquela época. Almoçamos neste local e tive noticia do canhonaço,  decidi visitar e conhecer sua história. Depois do almoço ouvi de um cubano 2 coisas importantes. 1. Cuba sentiu fortemente a derrocada da União Soviética e o desmantelamento da comunidade dos Países Socialistas que lhes davam guarida e tinha as costas largas para apoiar o governo de Fidel em trocas vantajosas para seu País, e 2. Ele me disse, em todos os Países, o sujeito ganha um salário e se puder, ganha por fora alguma propina secundariamente. Em Cuba a propina é a principal fonte de renda, o salário é secundário, alguns chegam a ganhar 12 dolares mensais pagos regia e pontualmente por mês pelo governo. Isto não significa que sejam atividades ilícitas, o sujeito cria, inventa mil e uma formas de ganhar um dinheirinho por fora para completar o seu magro orçamento, um jeitinho de viver. Além disso, o governo subsidia  alimentação, saúde, educação, sem direito a internet…

De noite fomos a um restaurante sugerido pelo Valdeci obtido de uma pesquisa na Internet no vértice de uma esquina triangular o Chacon  162 na Habana Vieja, 10. Fomos de  táxi, local simples e  agradabilíssimo, comemos uma lagosta  muito bem preparada, uma gostosa limonada, e preços justos.  No retorno ficamos um pouco preocupados, algo receosos, tínhamos que andar uns 3 ou 4 quarteirões para pegar o táxi de volta ao  hotel, trajeto repleto de pequenos grupos de jovens conversando, brincando, lugar de aspecto evitado por aqui, só frequenta quem mora e conhece o ambiente. O dono do bar nos disse que ali era tranquilo e seguro. Pagamos a conta sem gorjeta, fizemos o trajeto e pegamos um táxi no final da rua, tudo na perfeita ordem. O preço dos táxis eram sempre combinados antes, 10 CUC´s. Percorremos a prolongação da Vieja Habana, no famoso Malecón, uma avenida costeira de sete quilômetros desde o Castillo de la Punta até o rio Almendares. O Malecon é para os cubanos um lugar de encontro e, especialmente, um lugar para namorar. Gostei  de ver este trecho.  Achei Havana segura, embora com muita gente perambulando pela rua.

Jantar no Chacon 162 em Havana

No outro dia fomos a um acanhado shopping com poucas mercadorias e vendedores desanimados, e desinteressados, talvez por não participação em lucros. Nesta época havia um debate no País sobre alteração na constituição sobre alguma abertura e mais liberdade de mercado, e muitos viam com desconfiança estas mudanças que aumentaria a fiscalização e o controle do governo. Depois passamos por uma espécie de feira de poucas variedades, nesse ambiente sentimos uma atmosfera maior de competição. Retornando ao hotel, encontramos Valdeci e Mirian e  fomos de táxi a um laboratório produtor de produtos especiais e alguns tipos de hidratantes. Fomos cercados por vendedores que alardeavam a qualidade de seus produtos clandestinos, seriam melhores em qualidade e procedência do que os da instituição oficial. O órgão do governo exigia um dispêndio de 150 CUC com médicos especialistas para receitarem os produtos. Conseguimos comprar uma pequena amostra sem precisar deste receituário. Em seguida retornamos para um breve descanso no hotel.

Negociamos um taxista por 10 CUC nos levar a um restaurante frequentado exclusivamente por  cubanos, os chamados Paladares, onde os preços  são menores, baratos, come-se por 1 a  4 CUP, pode-se pagar em CUP, a moeda dos cubanos. O motorista saiu perguntando onde ficava o el BURRITO, indicavam um canto, outro, pela direita, esquerda, e depois de muito rodar não achamos o dito restaurante. Voltamos para o hotel e pagamos 10 CUC para evitar confusão e bastante chateados com o motorista que nos pareceu trapaceiro. Presumo que ele sabia que o el burrito não estava funcionando. Nosso destino era quase sempre comer em frente ao nosso  hotel, não tivemos a chance de conhecer um verdadeiro Paladar em Havana.

Cesar e Eunice na fortaleza de San Carlos

No ultimo dia na cidade, no final da tarde fomos a fortaleza de San Carlos conhecer um pouco sua história. O canhonaço das 9 é uma cerimônia militar que data do século XVIII e ainda se mantém atualmente. Traduz-se literalmente num disparo de canhão originado desde a Bateria de Cerimônia da Fortaleza de San Carlos de la Cabaña.  Atualmente, os encarregados principais de levar a cabo esta tradição histórica-militar são jovens recrutados do Serviço Militar, os quais vestidos com fardas daquela época mostram a centenas de turistas nacionais e estrangeiros que se reúnem todas as noites para assistir ao disparo do canhão. Após a invasão da Fortaleza de los Tres Reyes Magos del Morro e a consequente tomada de Havana pelos Ingleses, no ano de 1762, o rei Carlos III ordenou a construção de uma grande fortaleza que pudesse proteger, a até então, vulnerável Colina del Morro. A construção começou em 1763 e terminou em 1774. Foram utilizados os mais avançados conceitos da engenharia militar do século XVIII e a maior fortaleza construída pelos espanhóis nas Américas. O estrondo è ensurdecedor, o zumbido no meu ouvido perdurou por alguns minutos.

VARADERO

A viagem de Havana até Varadero durou 2 horas numa perua VAN para cobrir os 150 km de boa estrada, com um motorista que falava muito pouco. Eu esperava ver um amplo canavial na estrada, mas, vi muitas matas secundárias, a flora de Cuba tem diversidade, vi descampado, áreas reflorestadas, flamboyants, o solo aparentemente cansado, apenas 1/4 do território cubano é agricultável e a economia agraria depende muito da monocultura canavieira, com pouco potencial de geração de renda e emprego. A patrulha averiguou a documentação do carro uma vez. Passamos pela cidade de Matanza, e logo chegamos ao FRAMISSIMA Memories Varadero beach. Eu quis conhecer o lugar num relance, a princípio gostei muito de ver uma garrafa de whisky pela metade numa mesa repleta de bebidas, tudo grátis, depois veio a realidade de uma fila longa e desorganizada no balcão do lobby. Após o demorado cadastro e recebimento das chaves seguimos num veículo adaptado para nos transportar juntamente com a bagagem.

Eunice no  Carrito

Conhecido como carrito, nos deixaram com a pesada bagagem (uma ajuda parcial do motorista), num bloco, atrás de outro bloco um pouco distante do trajeto natural do carrito. O tempo gasto a pé entre o lobby e o nosso apartamento era em media 15 minutos. A estrutura do resort é muito boa, com alguns problemas de manutenção, quase não vi tecnologia nos tratos culturais com a vegetação, homens capinando com terçados e facões, muitos coqueiros e arvores retorcidas decorrentes de furacões passados.

O primeiro problema. A internet,  mesmo paga era disponível apenas no Lobby, portanto tínhamos que sair do quarto, andar os 15 minutos para nos conectar com o mundo. Após um rápido descanso, fomos até um deck para sentir e perscrutar o ambiente, pedir um sanduiche com refrigerante tudo free, e daí passar o tempo para o jantar num restaurante próximo ao Lobby. Não gostei muito da qualidade do sanduba, mas a fome era grande. A gente queria programar 2 jantares, fora do restaurante popular, e não havia disponibilidades. Coisa boa sempre é escassa. Eunice decidiu fazer uma reclamação oficial sobre a qualidade do serviço para nossa operadora aqui em Fortaleza, de vários contratempos ocorridos, inclusive pouca oferta de água e papel higiênico nos apartamentos. Achamos preferível comunicar no outro dia, mas ela decidiu fazer a reclamação logo no Lobby com internet, urgente, para tentarem resolver os problemas mais cedo, deixar para depois tardaria ainda mais a solução. Mas, anoitecia e faltou energia elétrica. No retorno pagamos o maior mico da viagem, tivemos imensa dificuldade para achar os nossos apartamentos, o nosso bloco ficava fora da sequencia e os números não eram ordenados. Pensei, os 4 tateando no escuro igual a breu aqui em Cuba sendo guiados pela lanterna do meu celular que apontava para uma numeração desordenada. Valdeci dizia: Cesar, fecha  esse celular porque se descarregar vamos achar nosso bloco apenas pela manhã com a luz do sol. Enfim, chegamos ao bloco 38 após uma longa e tenebrosa busca.

Cesar na entrada do resort de Varadero

De manhã, pegamos o carrito e fomos tomar café no refeitório, comida abundante de razoável qualidade. Dali, fomos conhecer a praia, reclamei da demora do carrito. Um casal cubano acompanhado de sue filha concordou comigo quando eu disse que poderia ter mais transporte, uns 5 carritos adicionais. A mulher do cara pulou fora da conversa e ficamos conversando com o pai e filha. Eunice perguntou algumas coisas e ele nos disse que recebia cupons para comida e água (falam em kg de água), educação era grátis, saúde também, mas as escolas não tinham internet, a garota saiu da apatia e enfatizou, e o cubano reclamava dessa situação. Fomos para a praia e confesso que foi um dos melhores banhos de mar que tomei na vida, águas mornas e transparentes, com ondinhas suaves e olhem que nasci na beira mar. Cuba é muito privilegiada neste aspecto turístico, a praia apinhada de gente de várias nacionalidades, principalmente russas. Na hora do banho conversei com uma cubana simpática que se dizia de alto astral, sobre aquelas casas e prédios tão bonitos e estragados da orla de Havana. Ela me disse que aquilo tudo pertencia aos americanos ricos que vinham se divertir em Cuba e que foram enxotados pela revolução. A conversa parou por aí. Fomos para o almoço da mesma forma, muita quantidade e razoável qualidade. As comidas mais nobres eram disputadas e tinham fila. O calor do final de julho, insuportável, nos obrigava a procurar um local com ventilador de teto. Vento quente e local abafado. Neste sufoco descobri uma situação que me pareceu injusta. Uma sala no refeitório com ar condicionado, pessoal muito satisfeito, uma acachapante discriminação. Fiquei atento, percebi que tinham pulseiras diferentes da minha, eram um grupo turístico de elite. Aliás, notei depois que até na praia tinha esta separação, e jurei nunca mais fazer estas economias de palitos. Não vale a pena. Olhei atentamente o Carrito na hora do rush, do almoço, demoravam e a gente não gostava de enfrentar o sol do meio dia. Portanto, tínhamos de esperar, sem internet. Voltamos para o nosso alojamento e depois de um breve descanso seguimos para o  LOBBY no carrito, a estas alturas a operadora de Fortaleza tinha comunicado aos cubanos sobre as nossas queixas. Num instante conseguiram nos encaixar em 2 jantares refinados, um de cozinha italiana e outro, de cozinha japonesa. No jantar a italiana a garçonete cubana colocou os pratos no banco lateral, pois, a mesa ainda estava cheia de taças de vinho e chegara a hora dela ir embora. No jantar japonês, no outro dia, um cozinheiro fez o maior malabarismo e preparou as comidas na frente da gente, tinha uma família francesa na nossa mesa.

Alguns desacertos na logística: No banheiro, para tomar um simples banho, tínhamos que escalar um batente muito alto, o problema maior mesmo era a demora do carrito. Para evitar idas e vindas do LOBBY Eunice não quis voltar ao apartamento, passou o dia por lá. Aproveitei umas horas vendo os canais de televisão disponíveis, com duas noticias de destaque. O aniversário de nascimento do falecido ex-presidente da Venezuela, muitas vezes citado no canal estatal como comandante supremo Hugo Chaves e a reunião dos BRIC’s na África do Sul. Destaque, o  presidente brasileiro foi muito pouco citado como membro desta reunião de cúpula. Vi num dos canais entrevistas conduzidas pelo ex-presidente do Equador. Para as crianças, desenhos sobre a história de exploradores espanhóis e a caricatura de um doutor sabe-tudo falando de biodiversidade e domínio sobre a Amazônia.

No final das tardes passamos momentos agradáveis no LOBBY, onde aproveitávamos para nos atualizar pela internet e ouvir músicas belíssimas muito bem executadas num piano de cauda por uma jovem cubana. Em 2 balcões próximos éramos servidos por generosos copos de um delicioso suco de limão. Eu e Eunice retornávamos para o apartamento no carrito. De noite íamos a um anfiteatro próximo e da plateia assistíamos peças de teatro infantil, algumas atrações de cantos e imitações de cantores famosos.

Eunice, Valdeci e Mirian no lobby do resort de Varadero ouvindo a pianista.

 

Enfim, o dia de retorno para o Brasil. Deixamos para arrumar as malas na madrugada do dia seguinte e ficamos novamente à luz de velas. Romântico.  Melhor dizendo, com a luz mais uma vez redentora do aplicativo lanterna do celular, por sinal, prestes a descarregar. Imagine juntar em volumes uma porção de pequenos objetos espalhados pelo apartamento nestas condições. Após este sufoco, enfim, colocamos as malas, sacos, e trouxas mal acondicionadas pela pressa e viajamos 2 horas para o aeroporto com muita gente pedindo carona no caminho e chegando ao destino gastei os últimos Cuc´s com um café precário. Ainda tentei comprar um jornal cubano “o granma”, mas o setor de informações do aeroporto me disse que não tinha em canto nenhum, o rapaz ficou até admirado com o meu pedido. Foi isso.

 

 

 

PANAMÁ E SEU CANAL

Fomos no voo direto e inaugural da COPA AIRLINES de Fortaleza até a cidade do Panamá por quase 07 horas com direito a brindes com champanhe. Eunice encontrou no avião um casal de médicos que ia para um congresso em Chicago. Saímos nos primeiros minutos do dia 19 de julho de 2018 e chegamos às 05 (hora local), fuso horário 02 horas menos. O voo foi tranquilo e sem nenhuma turbulência, serviço de bordo razoável. A grande exigência na entrada no Panamá, além do passaporte, é o comprovante da vacina contra febre amarela. A operadora nos deixou 2 horas no aeroporto aguardando a chegada do funcionário panamenho, após cutucarmos pelo whatsapp para Fortaleza apressar nosso translado até o hotel. Quiseram dificultar nosso check-in, aquela conversa de entrar às 15 horas. Tudo terminou dando certo, bom sempre ter os vouchers à mão. Finalmente tomamos um bom café da manhã e seguimos para um breve descanso. Nos hospedamos no Las Americas Goldem Tower, com muito boa vontade podemos dizer que é um hotel 5 estrelas, conforme registro no contrato com a Casablanca Turismo. O prédio é antigo e as acomodações, incluindo a portaria, começam no 4º andar, as instalações são boas, internet funciona bem, o hotel fica no centro da cidade, Balboa Avenue and 53 street, Marbella- 587. Antes do meio dia acordamos e tivemos uma bela e agradável vista da cidade, destacando-se um prédio esquisito na nossa frente em formato de parafuso, nosso hotel ficava num entroncamento urbano defronte a um grande viaduto, próximo de um centro comercial.

Um prédio ícone do Panamá

Saímos, eu, Eunice, Valdeci e Miriam, grandes amigos e companheiros de viagens, para um passeio de reconhecimento. Duas quadras atrás do hotel entramos num shopping de certo modo acanhado e modesto. Nada me chamou a atenção, exceto umas garotas fazendo massagens com o cotovelo nas costas dum cidadão por US$30 a hora. Senti logo as dificuldades. Sem exagero, nosso outlet da Caucaia tem produtos de melhor qualidade e com preços 50% menores. Digo sem medo de errar, com o dólar como está, Fortaleza é uma cidade extremamente vantajosa para compras. A economia panamenha é totalmente dolarizada, é proibitivo comprar qualquer coisa fora do essencial com o que ganhamos em real. No Panamá o perfume da marca azarro custa em média U$ 77, livre de impostos, vi por menos de U$ 50 em Fortaleza com o mesmo volume.  Logo nesse dia o Valdeci fez algumas compras de vestuários.

Errar uma vez é humano, mas cair no mesmo erro é imperdoável. Por acomodação, caí novamente na armadilha de um agente de turismo do nosso hotel sobre um jantar de gala com um show folclórico com direito a transporte, por US$ 170,00 o casal. A exigência e o requinte seriam incomparáveis. Fomos animados para este evento as 20:00 hs. Um engodo, uma arapuca, pessoas entrando de bermuda, tudo não valia a metade do que pagamos para o jantar e ver um pouco do folclore local. Não é possível que eu caia mais nessa. O recomendável é o turista procurar um restaurante típico, jantar, pagar o couvert artístico, se quiser, e conhecer vários ambientes da vida noturna. Tivemos sorte desta bela apresentação no outro dia em um local escolhido ao acaso.

Belo folclore panamenho

Nunca tive sorte de comprar pacotes dentro do meu hotel. Felizmente utilizamos de forma altamente satisfatória o serviço de UBER durante nossa estadia na cidade do Panamá por iniciativa de Eunice. Uma das características da comida dessa região da América Central é o uso parcimonioso do sal, aliás, um aspecto muito positivo, sal não faz bem a ninguém, principalmente pessoas mais idosas. No segundo dia no Panamá fomos conhecer o museu do famoso canal de 80 km, que une os oceanos Atlântico ao Pacífico. Poucos sabem que o Senado da Colômbia no começo do século XX rejeitou um tratado com os Estados Unidos para fazer o canal. Então os norte-americanos instigaram o Panamá a declarar-se independente, evitando uma reação colombiana com sua poderosa marinha. Os EUA precisavam desesperadamente da obra para evitar seus navios darem uma volta de 21 mil km em torno do continente para integrar o oeste na corrida do ouro com o leste americano. A obra foi iniciada em 1903 e inaugurada em 1914, com enorme dispêndio material, financeiro e sacrifício de vidas humanas com o apoio dos EUA. A gigantesca obra facilitou o comércio marítimo internacional —, e sua construção foi iniciada pelos franceses em 1881 que desistiram. Mas, em 1904, os EUA reassumiram os trabalhos, concluído em 1914. Os norte-americanos dividiram o Panamá em 2, e queriam o controle perpétuo de uma faixa de 10 km de largura por 80 km de comprimento de canal. Desde então houve uma constante e crescente onda nacionalista contra a presença norte-americana no Panamá e isto piorou com a vitória de Fidel Castro em Cuba em 1959. O ápice de tensão ocorreu no começo de 1964 com o problema das bandeiras, e confronto com morte de 20 estudantes panamenhos e 4 americanos com centenas de feridos. Em 1973 o conselho de segurança da ONU apoiou a necessidade de rever os termos de acordo sobre o canal, com o voto contrário dos EUA. Os americanos reagiram firmemente a possibilidade de devolução, principalmente o republicano Reagan dizendo que compraram, pagaram e construíram o canal, então iriam mantê-lo eternamente como fizeram com o Alasca e com a Lousiana. Mas Jimmy Carter, tinha posição mais branda e elegeu-se em 1977. O canal perdera alguma importância para os EUA, que abria internamente rodovias e ferrovias e industrializava o Oeste. A matriz de transporte mudara muito. Isto facilitou o tratado Torrijos-Carter, a agencia autônoma do governo panamenho passou a administrar o canal, a partir de dezembro de 1999. Por lá já passaram mais de 1 milhão de navios. Não foi uma transferência fácil e serena, mas valeu a pena. Cada navio paga em média para atravessar US$ 100 mil, de acordo com a carga. O máximo já pago de pedágio por uma embarcação foi US$ 409 mil.  Carter, sofreu muitas críticas internas, baseadas na alegação de que ele não havia assegurado os interesses americanos, talvez tenha sido um dos fatores de sua não reeleição. De 2007 a 2016 o canal foi expandido, duplicando sua capacidade.

A Cidade do Panamá tem diversos passeios para serem feitos, uma bela autopista iniciada com o nome Calzada Amador ligando as ilhas Naos, Perico e Flamenco. O material utilizado na sua construção foi extraído do próprio canal recentemente duplicado. Visitamos pela manhã o canal expandido e de noite a ilha de Flamenco.

Canal do Panamá – Calzada Amador

Lugar bem estruturado para passeio com a família. Muitos restaurantes no local e algumas sorveterias. Fizemos todos os passeios turísticos na cidade do Panamá utilizando os serviços de Uber, barato e eficiente. Os motoristas faziam questão de citar a construtora Odebrecht brasileira que fez a obra com um sorriso irônico, insinuando algo ilícito nas negociações para a construção da gigantesca obra.  Senti que nossa imagem nos negócios anda um pouco arranhada. O que eu posso afirmar é sobre a extrema qualidade e beleza arquitetônica da obra de urbanização da ilha do Flamenco, possibilitando um passeio realmente inesquecível, simplesmente imperdível. Valdeci tinha razão quando falava entusiasmado deste lugar, ele e D. Mirian estiveram por lá anteriormente.

 

 

Viagem para Miami

 

Era para desocupar a casa em Orlando as 10hs, pegamos nossas coisas, fiz o checkout, recebi meus U$ 30,00 que havia deixado no dia da chegada e entramos no nosso confortável e econômico TAHAD. Tinham 2 malas a mais que compraram, fizemos um arranjo inteligente. Ô cabra danado este Cesar Jr. O homem pensa em tudo. Almoçamos na estrada uns sanduiches e chegamos em MIAMI as 15 hs, sem nenhum comunicado autorizando nossa entrada. Fiquei dando voltas no quarteirão enquanto o Cesar Jr tentava contato para receber autorização do proprietário. Deixei o carro num parque vizinho ao nosso prédio, que ficava num perímetro com inúmeras lojas nas proximidades, um verdadeiro paraíso para quem gosta de compras, inclusive a famosa ROSS. A ordem de entrada chegou pontualmente as 16 hs, entramos no apartamento, por sinal acima das expectativas e fomos buscar o carro com nossa bagagem. De noite fomos novamente abastecer nossa geladeira num gigantesco supermercado, o Tight.  

Todos ficaram alvoroçados com a presença de tão famosas lojas e grifes nas vizinhanças, no dia 23 compramos singelas decorações e adereços natalinos, passamos o natal juntos de forma simples e alegres com direito a amigo secreto no nosso apartamento de Miami, com um peru de 10 dólares preparado pelo nosso máster chef Cesar Jr e arroz mais ou menos feito pela Andréa. No outro dia matamos um pouco a saudade do nosso feijãozinho com arroz num restaurante brasileiro, “o girafas”. Em seguida fizemos um belo passeio em Miami Beach, onde tomei um banho de mar inesquecível e esquisito, comigo só foi o Cesar Jr, água cristalina embora gelada, e sem nenhuma onda. A gente percebe que o ambiente é cosmopolita. Outro grande passeio foi passarmos o dia na famosa avenida Lincoln Road tomando vinhos e chopinho gelado, com pratos típicos americanos dentro do clima festivo de natal e final de ano. A gente tem sempre que ficar atento com algumas despesas, não precisamos tomar café e jantar fora, essa é a vantagem de se ficar numa casa equipada. O almoço de 5 adultos e 2 crianças fica em torno de U$ 200,00 a 250,00, extremamente caro são os serviços e pedidos extras. Uma entrada com 5 rodelas de pão e 2 ou 3 porções de molho custaram U$ 10,00 numa refeição na Lincoln. Nesse dia não pagamos os 15% de gorjeta e o garçom todo cheio de razão, disse que era lei, dissemos que ele era obrigado a fazer jus. Ficou por isso. Na saída, onde pegamos o carro, um policial parou na nossa frente, desceu e se dirigiu a um grupo com jeito de latinos. Será que estava atrás de ilegais? Não sei dizer, mas qualquer pequeno entrevero pode ser muito inconveniente para quem não tiver os documentos em perfeita ordem.

Cesar e Yuri na Lincoln Road em Miami nos EUA.

Deixamos para conhecer apenas no final das férias um espetacular restaurante em Fort Lauderdale, o Kaluz, com uma vista exuberante dos barcos luxuosos, alguns sendo muito grandes que obrigavam a levantar a ponte móvel em frente ao setor externo do restaurante. Retornamos a Miami, e nesse dia no finalzinho da tarde fomos para Wynwood, um bairro até há algum tempo degradado,  violento, agora  com obras dos mais famosos grafiteiros dos EUA. Foi uma ideia de Tony Goldman, o bairro tem 5 quarteirões e um enorme estacionamento que cobra 20 dólares por carro e estava lotado. Achei o preço exorbitante, uma exploração e Cesar Jr foi deixar o carro na rua, 3 esquinas adiante nas quebradas, e após apreciarmos algumas galerias, museus e ateliês, fui pegar o carro com ele. Me pareceu um bairro de certo modo hostil. Tudo bem, retiramos o carro numa boa e viemos recolher o pessoal no ponto combinado.

Pensei lá com meus botões, que tal prepararmos murais com os nossos criativos e desprestigiados artistas (pintores, músicos, palhaços, escultores) populares em bairros pobres da periferia de grandes cidades brasileiras, com prêmios fabulosos da Lei Rouanet, incentivos de empresários, comidas locais, estacionamentos de carros. E segurança, principalmente seguranças promovidas por moradores locais, reconhecidos e devidamente remunerados com verbas públicas e privadas? Wynwood de Miami é um modelo, o que é bom deve ser copiado e adaptado nesse mundo globalizado.

No outro dia acordamos tarde, arrumamos as malas e fomos definitivamente para Fort Lauderdale, dando uma passada não muito demorada no maior OUTLET da Flórida, o Sawgrass Mills. Já estávamos perto do aeroporto, completamos a gasolina do carro, Cesar Jr nos deixou no aeroporto e foi entregar carro na locadora. Na sua volta comemos uns sanduiches que eu tinha preparado e sentados no chão do acanhado aeroporto. Nos preparamos para o demorado procedimento de retorno para o Brasil, tudo transcorreu em perfeita ordem e em voo muito mais tranquilo que a nossa ida, sem turbulência. Chegamos em Fortaleza prontos para as festividades de final do ano de 2017.

É FLÓRIDA

O grupo tinha 7 pessoas, 5 adultos e 2 crianças de 3 e 6 anos. Saímos em meados de dezembro de 2017 pela empresa aérea Azul de Fortaleza para Belém e daí em voo direto de 5 horas e meia para Fort Lauderdale.  Conhecia esta cidade de passagem entre Miami e Orlando de outros carnavais, a única referência que eu tinha era que ali existia o maior outlet da Flórida, o Sawgrass Mills com 350 lojas. Fort Lauderdale fica a mais ou menos uma hora do centro de Miami. Nesta viagem senti que os preços não estavam tão baixos com antigamente, tudo que comprávamos eu multiplicava por 4 para ter uma ideia de quanto valia em reais.

O voo da azul de ida não foi dos melhores, muita turbulência. Tivemos de enfrentar de noite, ainda cansados dessa viagem, 2 horas de fila no aeroporto, para sermos atendidos por um representante da imigação extremamente antipático e impaciente com nosso grupo. Na fila, infelizmente tinha um sujeito com um cachorro bem grandinho na nossa frente – pensei que não podia – e o Yuri quase pega no rabo do animal. Fiquei imaginando o que poderia acontecer se ele tivesse puxado com força aquele rabo. Enfim, conseguimos entrar neste País governado pelo Trump.

O nosso transporte e das malas foi de ônibus até o local que alugamos uma TAHOE Chevrolet , sempre é conveniente ter garrafinhas disponíveis de água e copos descartáveis nestes momentos críticos, o Yuri sempre pedia água. Seguimos para o hotel Days INN em Fort Lauderdale onde precisávamos passar uma noite reconfortante. Ocorreram alguns inconvenientes neste lugar; Grande demora que eu e Cesar Jr. tivemos na portaria do hotel para obtermos autorização e ocuparmos 2 quartos, enquanto os demais ficaram esperando no carro. A princípio, a recepcionista confusa fez o protocolo apenas para um quarto e depois de descobrir o engano, outra maçada para disponibilizar o segundo com um erro que nos custou caro dissabor. Passamos a noite incomodados com a zoada de um trem que parecia que entrava e saia do hotel e sempre apitando, de 10 em 10 minutos. Junior, de madrugada, ouviu sons de chaves na fechadura e de sobressalto, avisou que o quarto estava ocupado. Ainda bem que os pretendentes não insistiram, de manhã a recepcionista num inglês rápido e incompreensível, até para o intérprete oficial Cesar Jr, tentou se explicar e tratamos de sair o mais rápido possível daquele esconderijo.

Nosso café da manhã foi num desses Macdonald em Fort Lauderdale e saindo dali perdemos um bom tempo tomando uma providência. Desta vez eu e Cesar JR introduzimos um chip por U$ 60,00 e passamos a viagem toda numa comunicação impecável, o recomendável seria ter feito isso logo em Fortaleza. Essas coisas, a gente não pode negligenciar, deixar para depois, é absolutamente indispensável a boa comunicação e evita inúmeros dissabores numa viagem de grupo.

Borboletário em Fort Lauderdale, uma maravilha.

O primeiro passeio foi num borboletário conhecido como BUTTERFLY GARDER CENTER, U$ 20,00 por pessoa. Visitamos o pavilhão das araras, das borboletas, dos demais insetos e dos pássaros. O destaque são as borboletas e recomendo a visita. Mal comparando com Fortaleza, aqui mesmo no Ceará tem um borboletário totalmente desconhecido do grande público, e ainda é grátis. Eles, os americanos são extremamente eficientes no marketing, transformam tudo em dinheiro, inserem as atrações nos locais mais visitados, sejam fisicamente ou virtualmente. Em Fortaleza recebemos milhares de turistas, muitos gostariam de visitar outras atrações, não apenas mar e mulheres bonitas. Porque não integramos um borboletário com, por exemplo, um centro de entomologia da Universidade (apoio a pesquisa e educação), com uma entidade estadual ou municipal de turismo, e cobramos a visita para dar sustentabilidade financeira? Isto vale para o aquário aqui do Ceará que há anos existe apenas em projeto.

Orlando e seus Parques da Disney

Seguimos para Orlando após um rápido Tour pelas praias de Fort Lauderdale, muito organizadas, limpas e sem ondas, é uma cidade exuberante e que merece ser melhor apreciada e explorada pelo turista. Queríamos vencer logo as 3 horas para Kissimmee, que fica a meia hora do centro de Orlando, num condomínio muito próximo dos parques (10 minutos), e no caminho almoçamos num daqueles conhecidos postos de auto – estrada com seus centros de serviços. Chegamos em Kissimmee as 14  hs, entramos numa casa extremamente confortável e logo fomos de carro rever o Walmart e fazer umas compras de produtos básicos que nos abasteceriam até o dia 23, antevéspera de natal.

Orlando se resume aos Parques, nessa época de dezembro estavam lotados. Fomos primeiro para o Centro de Orlando, (Ola Gigante, museu de cera, aquário), valeu a pena. O restaurante foi um achado, o Oliver Garden (Italiano). Creiam, a comida é boa, relativamente barata e ambiente acolhedor. A gente espera na fila e eles inventaram uma estratégia deveras inteligente, podemos pagar a metade do preço do vinho enquanto se aguarda na fila, pela primeira vez gostei de fila, queria até demorar mais para beber um bom vinho californiano mais em conta. Não sou muito entendedor de vinhos, mas, acho melhores os vinhos argentinos e chilenos. Fomos a Ilha da Fantasia, estúdios da Universal e Parques dos dinossauros, quando passei 2 horas numa fila irritante e extenuante, no escuro, principalmente para a Fabiana, que teve um enorme trabalho para controlar as crianças naqueles labirintos apinhados de gente.

E agora, Andrea

Andamos em vários brinquedos.  Revi os que eu já conhecia, Epcot e mais uma vez fiz o passeio virtual de asa delta no Sorin, Viagem a Marte num simulador e naquela bola do EPCOT. Visitei mais detidamente os quiosques do México, EUA (onde comemos uma coxa gigante de peru), Marrocos, China, Canadá e Reino Unido.  Enfim, tudo muito, muito caro, cansativo, gente demais para os brinquedos bons, restaurantes. Mas, no final a gente acha que tudo valeu a pena.

No nosso endereço tínhamos alojamentos confortáveis e mobiliados, e todos os utensílios indispensáveis e eficientes (máquina de lavar, secadora, geladeira, fogão etc), frequentei um centro de convivência muito agradável com bar, sala de leitura e de ginástica e uma bela piscina. Me chamou atenção uma placa com dizeres na piscina “proibido tomar banho com diarreia”. Ora, ora…inventem outra. De tarde Eunice testou o seu aplicativo do Uber e fomos ao Flórida onde Cesar Jr foi nos buscar com todo o pessoal que vinha de outro parque.

Fizemos um passeio muito interessante e barato na Lake Buena Vista e visitamos o Lago Village onde alguns passearam até num balão. Eu mesmo dei por visto viajar neste balão. Este ano de 2018 o  New York Times indicou o local para ser visitado, com o título Disney Springs. Anualmente o jornal elege visitar 52 lugares no mundo e em 2018 o Brasil ficou fora da lista. Isto é lamentável.

O grupo em Orlando, Lake Buena Vista

No dia 23 arrumamos as malas para deixar nosso refúgio em Kissimmee e seguir para Miami onde passaríamos o natal. Nessa viagem o grupo tomava o café da manhã e jantava em casa e almoçava fora, este princípio foi concebido para redução de custos. Quando estávamos em casa utilizávamos o Chromecast, altamente útil, aliás, utilíssimo na viagem e nos permitindo acesso ao noticiário em tempo quase real no Brasil pelo Yutube. Muito oportuno também, foi eu ter levado um adaptador de tomada, imprescindível desde os primeiros momentos de chegada aos EUA. O problema maior, eu tentei ajudar, fiz a minha parte, foi o esforço laboral doméstico na casa, esse é que é o nosso grande embaraço. No Brasil, somos acostumados a consumir sucos de frutas naturais, tanto em casa quanto em restaurantes. Nos EUA e Alemanha, os sucos são geralmente industrializados (gosto alterado) e acho que eles não sabem o que estão perdendo, principalmente no caso do suco de laranja que deve ser produzido e consumido no máximo em 15 minutos.

Fortaleza – San Francisco da Califórnia (EUA)

Devido à demora para identificarem o dono de uma mala no depósito de bagagem do avião o voo atrasou. São Paulo seria o primeiro trecho a ser vencido naquele final de janeiro de 2015, saindo de Fortaleza para San Francisco. O passageiro fez o check-in junto com sua mala. Por um motivo qualquer desistiu do voo e tiveram de encontrar sua mala entre centenas; conclusão: ainda é fácil alterar horários de voos em aviões, basta um passageiro ter uma indisposição e desistir. Me surpreende tantos investimentos em tecnologias nestes aeroportos e ausência de agilidade para solucionar alguns frequentes e pequenos transtornos desse tipo. Chegando em São Paulo tarde da noite perdemos a conexão para os EUA. A TAM nos autorizou o pernoite num hotel na ESTAÇÃO DA LUZ, pagou nosso taxi depois de uma enfadonha burocracia no seu guichê em Guarulhos. Retornamos para o aeroporto cedinho da manhã, sem nossas malas e notícias se elas tinham ido na frente ou ainda estavam em São Paulo. Quantos contratempos ocorreram com os demais passageiros da TAM devido àquela mala ? Chegamos em Miami no meio da tarde. Enfim, tudo foi dando certo, mesmo com dificuldade de comunicação com uma agente da imigração americana que queria saber minunciosamente os motivos de nossa viagem para a Califórnia. Ah, sim, finalmente em MIAMI encontramos nossas malas e um funcionário enfiou as mesmas num buraco com esteira até a nossa sala de embarque. Depois de uma exaustiva diligência para encontrar esta dita sala no gigantesco aeroporto, podemos sentar e aguardar o chamado para o voo costa a costa e após 6 horas neste avião chegamos em San Francisco às 23 horas.

Eunice no bondinho em San Francisco.

Pegamos um taxi quase meia-noite do dia 27 e atravessamos San Francisco. Vi senhoras bem vestidas atravessando calmamente a rua com suas compras e bolsas. A forma descontraída como andavam me sinalizava que eu não estava no Brasil.  Na verdade passamos 3 dias por nossa  conta e risco em São Francisco, (28, 29 e 30), os 2 dias anteriores foram gastos na longa e cansativa viagem. Ficamos no Hotel Beresford, 2 quadras da Union Square. Passeamos pela Maiden Lane, e no ponto central Dewey Monument, que eleva a Deusa da Vitória aos céus. Frequentamos de dia o prédio do Macy´s onde fazíamos refeições no ultimo andar, sempre apinhado devido a qualidade e o preço mais em conta. Pela primeira vez usei aquele aparelhinho que vibra quando chega a hora de atender o nosso pedido, confesso que não conhecia tal ferramenta. Hoje é comum, a globalização difunde rápido essas novidades.

Nosso hotel tinha um espaço ao lado que de dia funcionava uma lanchonete e de noite era uma boate. Na esquina tinha um restaurante que descobrimos com comida e preços decentes, 3 quadras de onde se pega o bondinho símbolo. Esse passeio imperdível merece a gente comprar um passe por 3 dias. Após andar bastante eu e Eunice pegávamos o bondinho na própria Union Square na esquina da Powell com Post. O passeio é espetacular, aprecia-se toda a cidade, subindo e descendo aquelas ondulações, o bonde é especial, confortável, singelo, anda devagar e o turista fica num assento aberto e panorâmico. Os passageiros sentem-se bem à vontade, as peças e instrumentos mecânicos são sabiamente antigos e artesanais, verdadeiro cartão postal da cidade. O passeio tem algo de nostálgico e bucólico, serve para a gente relaxar e repor as energias gastas. É realmente imperdível, uma referência de simplicidade, tranquilidade e percebemos as coisas de perto como se estivéssemos andando a pé sem cansar, com conforto e tranquilidade. Pegamos esse transporte clássico de dia, onde fomos até o nosso passeio para um ponto turístico e agradável de San Francisco, logo percebemos que estávamos em Fisherman’s Wharf, local agradabilíssimo repleto de gaivotas e barcos pesqueiros. Sua história remete aos primórdios da cidade de San Francisco, mais precisamente durante a Corrida do Ouro.

Eunice em San Francisco, Pier 39

Depois de passearmos pelo Ferry Building Marketplace, uma espécie de “mercado municipal” de San Francisco, seguimos em frente em nosso passeio em direção ao famoso Pier 39 em Fisherman’s Wharf. Procurei, mas não vi nenhum leão marinho, e pelo menos neste dia não conferi esta atração divulgada pela internet. No caminho passamos em frente a varias lojinhas e numa dessas, de uma coreana, Eunice comprou uma touca esquisita com uma bolinha vermelha em cima e paramos um pouco em frente ao museu de madame trussot cuja matriz fica em Londres. Em frente a esta filial de San Francisco tinha uma réplica de cera em tamanho natural do ator Leonardo di Capri. Foto 2

Aproveitamos ainda para passear um pouco mais pelo pier, e fomos de barco visitar a famosa ilha de Alcatraz, bem no meio da baia de San Francisco. Entramos no presídio federal de segurança máxima que funcionou até 1963, cujo mais famoso preso foi Al Capone.  Percorremos algumas celas outrora símbolo daquele pavoroso isolamento.

Eunice em Alcatraz

Na volta da ilha de Alcatraz percorremos várias barracas de verduras com enorme variedade de frutos do mar, destacando-se os caranguejos gigantes. Passeamos numa espécie de triciclo dirigido por um jovem casal que me afirmou que era dali que tiravam seu sustento. Como ninguém é de ferro chegou a hora de almoçar ouvindo musica bossa nova brasileira qualificada de um desses artistas que tocam nas ruas. Depois disso passeamos um pouco pelas redondezas, passamos rapidamente numa ROSS na Guirardelli Square antes de pegarmos o “bondinho” da Linha F que liga o Fisherman’s Wharf ao Castro. É um local badalado e palco de inúmeros e históricos movimentos sociais principalmente sobre diversidade e liberdade sexual e de costumes. Seguimos em direção à Union Square e voltamos para o hotel. De noite fizemos ainda um passeio noturno no nosso bondinho. San Francisco é uma cidade alegre, bonita e parece que vive sempre numa festa e em clima leve e descontraído.
No ultimo dia, 30 de janeiro, cedo visitamos a Chinatown de São Francisco, a mais antiga dos Estados Unidos. Além de ser considerada uma das maiores comunidades de chineses fora da China, caminhamos pelas ruas de Chinatown num encontro da história e cultura chinesa. O bairro fica ao lado do centro da cidade e é possível chegar até lá caminhando. Daí, de taxi fomos para um enorme parque, o Gold Gate Park, nos anos 50 foi palco do movimento hippie e é limitado pela Fulton st e Lincoln Way. Fizemos um passeio rápido no belo jardim japonês, Young museu e Academia de Ciências da Califórnia, tudo ali pertinho. Infelizmente não entramos na academia de ciências com mais demora, foi uma grande falha, além de não termos conhecido a Lombard St. No dia 31 seguimos de avião para Los Angeles, agora estávamos sob os cuidados da Bancobrás que dirigiu nossa excursão daí em diante. Chegamos ao aeroporto de Los Angeles e fomos recebidos por um guia turístico que nos conduziu até o hotel Bonaventura com 4 torres (verde, azul, amarelo e vermelha). Chegamos a este majestoso hotel as 14 horas. No final da tarde e noite ficamos ali apreciando a Cidade do 25º andar no centro financeiro da cidade. Os apartamentos são confortáveis, o hotel tem várias lojas de conveniência e as refeições podem ser feitas no quarto andar. No 34º andar tem um restaurante panorâmico onde Los Angeles pode ser vista de diversos ângulos, a torre é móvel.  O hotel foi palco de alguns filmes famosos. Soube por comentários que o ator Arnold Schawzenagger em um de seus filmes de ação subiu a cavalo num dos elevadores panorâmicos do hotel.

San Francisco – Los Angeles – San Francisco

Neste começo de fevereiro o grupo de brasileiros tinha umas 15 pessoas. Nosso circuito totalizava 2.850 km com o guia turístico argentino Mario em um ônibus confortável. O roteiro não incluía a cidade de San Diego e seu famoso e atrativo zoológico, uma pena. Nosso primeiro destino foi conhecer o Grand Canyon, numa reserva em Tusayan no vizinho Estado do Arizona. O primeiro dia teve um roteiro puxado pois tivemos que percorrer 780 km pelo deserto de Mojave. Foi um dia profundamente monótono naquele sol escaldante, quanta terra ociosa num das regiões mais ricas e desenvolvidas do mundo. A gente não vê nada vivo, nada verde, só terra preta, queimada, estorricada, uma paisagem lunar. Se vê e ouve apenas o barulho e o vai e vem de carros na rodovia movimentada em sentido inverso.

Roteiro da viagem

Ao meio dia paramos num local com um pequeno centro de serviços e que tinha um restaurante até bem estruturado, onde almoçamos. Neste local presenciei a passagem de um trem que parecia não ter fim e meditei sobre as vantagens desse antigo, eficiente e eficaz meio de transporte que o Brasil não priorizou em detrimento do oneroso e arriscado transporte rodoviário. Tudo em nome de uma indústria automobilística que por um lado induziu tecnologia e renda no centro sul, mas de alto custo, concentradora de renda e promotora de desigualdades regionais gritantes. Hoje atravessamos desindustrialização e grandes gargalos na qualidade de estradas e outras estruturas para circulação e altos custos no fluxo de bens e serviços neste imenso País. Chegamos cedo em Kingman, sede do condado de Mojave já no Estado do Arizona, paramos nesta cidade para um rápido lanche e descanso. Depois seguimos viagem até Tusayam, 200 km depois que estava com um frio noturno do deserto, chegamos e não tivemos coragem de sair do hotel. Mais tarde assistimos a um filme sobre as atrações turísticas do Canyon. Pagamos o ingresso bem caro, são os próprios indígenas nativos que administram aquela reserva, uma forma interessante de autonomia econômica e de sustentabilidade sócioambiental.  Fomos dormir depois desse filme, de manhã não resisti, estava sem sapatos protetores e usando alparcatas e tive que comprar na loja da reserva um par de meias de lã para poder passear no batente do Grand Canyon. De um lado a outro do Canyon tinha 18 Km segundo o nosso guia. É um desfiladeiro fenomenal esculpido pelo rio Colorado, e um dos mais espetaculares fenômenos do Planeta. Visitamos durante 2 horas esse desfiladeiro, tinham várias estações de observação onde tiramos inúmeras fotos e filmamos. A mancada desta vez foi não ter dado o passeio de helicóptero, custava 200 dólares por pessoa.

Cesar no Grand Canyon

Depois da visita ao Grand Canyon continuamos viagem rumo a Las Vegas, no Estado de Nevada, ali almoçamos e tivemos uma tarde e noite animada. No caminho conhecemos a represa que abastece Las Vegas, extremamente acanhada porque valorizam muito a profundidade em vez de superfície exposta, o grande espelho dágua amplia as perdas por evaporação. Revemos aqueles clubes e cassinos, e fomos até a Fremont Street de Las Vegas, o coração da Velha Las Vegas, ou Old Town, como é chamada por muitos. A Fremont Street Experience é a rua mais antiga de Las Vegas e fica em downtown, ao norte da Strip, que é a principal avenida de Vegas. A Fremont Street Experience é uma rua toda coberta que tem a extensão de cinco quarteirões. É uma rua reta, com todo o tipo possível e imaginável de atrações com motivos e sentido eróticos, então é só andar de uma ponta a outra para conhecer todo o local. Lá estão os primeiros e mais antigos hotéis e cassinos de Las Vegas. Nesta segunda viagem a Las Vegas não tínhamos ido a esta rua que tem até uma tirolesa onde pode-se visualizar toda a rua de cima. O guia nos informou que muitas pessoas promovem casamentos numa instituição ali perto, obviamente sem nenhum valor legal por aqui.  A pergunta que nós fazemos, como pode uma cidade no meio do deserto prosperar tanto em torno de amenidades, do sexo e jogatina, logo no seio de uma sociedade conservadora com os valores religiosos da americana. Não consigo entender tal situação. Após sair de Las Vegas em Nevada na direção a Fresno, percorremos os arredores de um projeto enorme com tecnologia avançada de energia solar. Após um dia neste deserto acompanhamos uma cadeia de montanhas entre os Estados da Califórnia e de Nevada que abriga um projeto gigantesco de energia eólica aproveitando o enorme potencial de vento do deserto do Mojave. Caiu a ficha: Foi surpreendente inexistir qualquer referência na internet sobre este fabuloso projeto, meus cálculos superficiais foi a presença entre 5 a 10 mil turbinas eólicas, aqueles enormes cata-ventos. Afinal de contas, comecei a rever a minha ideia de que o Mojave com uma paisagem lunar que citei anteriormente, era inútil. Teria um formidável potencial de ventilação e com isto permitir a geração de formidável quantidade de  energia eólica. No caminho continuamos a ver e apreciar grandes e organizadas vinícolas, que proporciona concorridas degustações de vinhos para os visitantes e uma das grandes atrações turísticas da Califórnia. Chegando a Fresno fomos comunicados pelo guia que não era recomendável sairmos a noite, ele nos informou que é uma cidade dormitório utilizada por viajantes enfadados e gente de todo o tipo e de todos os rincões americanos e que circulam pelas autoestradas. Fresno é uma cidade muito rica, mas suponho que seja pobre de atrações turísticas. Ficamos no hotel meio sem graça e de arquitetura fechada, cinzenta e esquisita com uns amigos gaúchos e tomando vinho. De manhã fomos para o Yosemite National Park.

Eunice no Parque Yosemite, CA, 2015

Suas atrações são as gigantescas sequoias que podem ter mais de 80 metros de altura e cheias de buracos feitos por pica-paus. A grande história deste parque é que foi o berço do famoso urso Zé Colméia e seu amigo Catatau. Na direção de San Francisco percorremos alguns locais famosos e que imortalizaram artistas como John Wayne e heróis como Billy Kid. O americano tem o mérito de querer imortalizar seus sítios com o emprego das mais diversas mídias. Neste trecho percorremos diversos locais onde outrora se arrastavam as diligências movidas a cavalos que transportavam o ouro do Vale do Ouro no Velho Oeste com destino à São Francisco.  Estas histórias povoaram nossas infâncias através dos filmes de bang bang com os seus personagens de cowboy e possuem grande importância cultural na indústria do entretenimento mundial. Certamente também tivemos muitas histórias não contadas entre Minas Gerais e Paraty-RJ sobre o ouro que foi para Portugal.

San Francisco – Los Angeles – São Paulo

Chegamos em San Francisco pela 2ª vez, ao som da famosa música que identifica a cidade (San Francisco) e fomos direto para o Hotel Hilton. Era o finalzinho de uma tarde de fevereiro. Nessa mesma noite fomos para a Union Square, no Shopping Saks.  Na manhã seguinte visitamos a Golden Gate Bridge, uma ponte pênsil com 2.737 metros de comprimento. As suas duas torres de suspensão erguem-se a 227 metros acima do nível do mar.  Essa ponte é cartão postal da cidade e liga San Francisco a Sausalito. Atravessamos a ponte, considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno, de ônibus. Infelizmente estava com uma densa neblina. Gostaria de ter conhecido Sausalito melhor.

Cesar e Eunice em San Francisco – 2015

 No retorno para Los Angeles dessa vez fomos de ônibus, passamos por Monterrey, Carmel, Santa Maria, Santa Barbara e finalmente Los Angeles.

Vimos de longe uma pequena ilha santuário de leões marinhos a 10 km de Monterrey, visitamos o seu cais e deixamos de conhecer o seu famoso aquário. No cais vi um mendigo segurando uma plaquinha com a frase em inglês que traduzida dizia, uns trocados para tomar umas cervejinhas. Achei o pedido inusitado. Passamos por praias repletas de trailers e onde residem muitos artistas de cinema milionários aposentados. Senti aqueles locais com uma atmosfera triste, embora sempre sinta isso quando o dia está nublado. Dormimos em Santa Maria e fui informado que era a terra onde o Michel Jackson tinha sido julgado. Não vi nada de relevante nisso.

Eunice e as gaivotas perto de Monterey. Ao fundo um santuário de leões marinhos.

Passamos rápido por Santa Barbara em um cais que sinceramente, não achei nem um pouco atrativo, finalmente, Los Angeles. Confesso que exceto as belas, conservadas e impressionantes autoestradas, minha impressão sobre as badaladas praias da Califórnia não foi das melhores, sem nenhum bairrismo sou mais as nossas daqui mesmo do Nordeste brasileiro. Ressalte-se que as visitas foram muito superficiais e o tempo não ajudou. Nesta rápida visita de 12 dias em cidades da Califórnia, Arizona e Nevada, presenciei o extraordinário desenvolvimento e seus reflexos decorrentes do alto grau de competitividade das empresas do oeste dos EUA. Um grande País que soube maximizar e tirar proveito de todo o potencial da Ciência & Tecnologia.  Desenvolveram o turismo, a partir das maravilhas do Grand Canyon, entretenimento em Las Vegas num deserto daqueles, que fica ali bem perto da pujança da Califórnia. Souberam usar bem até o vento do deserto para produzir energia eólica, aproveitaram bem as riquezas derivadas do ouro que foi extraído e investidas lá mesmo, das artes tão bem e eficientemente produzidas e divulgadas mundialmente pelas revistas em quadrinhos e cinema de Hollywood, que nos fez conhecer o velho oeste americano desde criança, até bem melhor do que a nossa própria história. No meu entendimento, tudo isso, foi uma combinação perfeita que soube criar um clima salutar e competitivo a partir de um ambiente institucional incentivador do empreendedorismo (pouca burocracia para se criar uma empresa e contratar cérebros privilegiados e eficientes gestores e trabalhadores). Houve um ambiente organizacional favorável que garantiu trocas vantajosas através do comércio, serviços e dos transportes com o resto do mundo pelo Oceano Pacífico. Foi estruturado um formidável ambiente tecnológico inovador tendo como resultado o Vale do Silício (informática) e técnicas agroindustriais (especialmente a irrigação, mecanização, mecatrônica), biotecnologia, automação, e robótica, infraestrutura e de serviços de ponta.

Cesar em Los Angeles-EUA

Em Los Angeles fizemos um city tour e conhecemos com o apoio de um guia falando em espanhol aqueles pontos mais badalados como a porta da entrada da cidade, inúmeros monumentos, consulado do México, Beverly Hills, Hollywood com sua calçada da fama, o local de entrega do Oscar, enfim, todas essas coisas que tornam o americano imbatível no marketing. Após conhecer quase todos esses enredos e roteiros de praxe, partimos de volta para o Brasil num excelente voo de 12 horas de duração pela American Airlines, sem escalas de Los Angeles para São Paulo.

Bogotá na Colômbia

A Colômbia tem sua metade ocidental nos Andes e sua parte oriental caracterizada por planícies baixas, com frequência densamente florestadas. Seu clima é tropical ao longo de ambas as costas e nas planícies orientais, ao passo que as terras altas podem ser consideravelmente mais frias. Produz um café de altíssima qualidade e é pródiga em minérios. Visitamos a Colômbia em abril de 2016 em viagem de 5 horas de Fortaleza-Bogotá em voo direto, cômodo e preços promocionais pela Avianca.  Eu, Eunice, Valdeci e Mirian chegamos num final de tarde e ficamos hospedados no Hotel Continental.

A Colômbia é a terra natal do Nobel de Literatura Gabriel Garcia Marques, que ampliou os limites da literatura mundial com suas reportagens e livros como Cem Anos de Solidão. É um País muito religioso. Por onde a gente andava em Bogotá o passeio terminava sempre num oratório, capela, numa igreja ou catedral. Estes templos podem ser embaixo da terra, como veremos a seguir, no topo de montanhas, enfim, sente-se no ar o misticismo marcante da população. A Colômbia tem o maior percentual de católicos da América Latina, mais de 80% de sua população de 46 milhões de habitantes.

Mina de sal em Zipaquirá-Colômbia

Bogotá está localizada em plena Cordilheira dos Andes. Nos dias que passamos na cidade estava sempre fria e cinzenta. No alto de uma das montanhas fica uma das grandes atrações turísticas da cidade, o santuário del Señor Caído de Monserrate. No primeiro dia em Bogotá seguimos cedinho para este santuário a 3.152 metros de altitude onde tem a melhor vista da capital colombiana. A visita não precisa ser só um destino religioso. No entorno da igreja há dois bons restaurantes e o passeio pelas montanhas é uma ótima opção para descansar e respirar ar puro sobre uma linda paisagem. Para evitar multidões o guia nos informou ser mais conveniente chegar cedo de segunda a sexta. Uma experiência interessante que me foi notificada pelo guia turístico foi a existência nas cercanias de Bogotá de um cemitério que vincula cada um de seus mortos com uma árvore. Cada pessoa sepultada deve representar uma árvore plantada por um membro da família do morto. Esta árvore passa a ter um significado afetivo no universo simbólico da família, as pessoas passam a cultivar com amor àquela árvore. Achei isto fantástico, as crianças vivenciam a experiência e isto significa um grande e superior envolvimento entre o homem, a sociedade e a natureza.

No segundo dia pela manhã fomos para Zipaquirá (47 km de Bogotá), a cidade tem uma altitude de 2.650 metros e eu senti um pouco de cansaço quando cheguei lá em cima, embora problemas sentidos com altitude tenham sido menores do que o esperado. É uma das atrações turísticas mais visitadas da Colômbia, a Catedral de Sal, um templo construído numa mina de sal a 180 metros abaixo da superfície. A descida é lenta e gradual, dura em média de 20 a 30 minutos, o turista vai cada vez mais se surpreendendo com lindas obras de arte sacra vistas ao longo do trajeto.

Praça Bolívar-Bogotá

A visita a Catedral subterrânea foi promovida pela guia turístico Martha e teve 2 horas de duração. Quando começamos a descer na mina em cerca de 20 a 30 metros a Eunice desistiu da visita, tentei convencê-la a continuar e não consegui. Então tive que leva-la até a entrada daquele buraco e ela ficou nos esperando numa lanchonete. Retornei para meu grupo, a guia Martha, Valdeci e Dona Mirian e fomos conhecer a Igreja subterrânea. É realmente emocionante sentir a força e o poder da fé.  Salões imensos, espaços majestosos, presépios, desenhos, esculturas, afrescos e pinturas belíssimas, com imagens de Jesus Cristo na cruz, de santos e de anjos em alto relevo esculpidas nas paredes de sal, no teto e nas laterais. Vimos lapinhas e personagens de mineração e suas amostras de esmeraldas. Depois que a gente faz uma visita daquela, começa a perceber e acreditar que a fé realmente move montanhas no sentido literal da palavra. Dentro dessa mina, além da extraordinária igreja, existe uma série de ambientes de serviços, souvenirs, restaurantes e outras estruturas turísticas.

Voltando a superfície, 180 metros acima, encontramos Eunice saboreando um salgadinho a base de arroz numa lanchonete na entrada da mina e dali fomos a praça Bolívar onde fica o palácio do governo central em Bogotá, e as instâncias dos poderes legislativo e judiciário, antes passando por um mercado próximo ao palácio.  A praça é muito ampla e bonita, o problema é o excesso de pombos. Próximo ao mercado, compramos um chontaduro adocicado, conhecido em Belém do Pará no norte do Brasil como pupunha.  Bogotá tem um clima imprevisível, chove, faz sol, frio e calor, tudo no mesmo dia. Experimentamos isso. As ruas de lá são numeradas e o maior problema que enfrentamos foi a interminável dificuldade em se conseguir taxi, muito difícil se não houver um acerto preliminar antecipado. Achei os bairros são tranquilos, arborizados, surpreendentemente limpos. As casas e prédios são na maioria de tijolinho aparente e a população é bastante polida e receptiva com o turista. A Colômbia é colorida e o povo é alegre. Recentemente tivemos a comprovação do carinho, amor e solidariedade dos colombianos com nós brasileiros nos dias que se seguiram ao desastre aéreo com o nosso Chapecoense.

Uma terceira e interessante visita foi a um museu com obras de Fernando Botero, num antigo convento. O artista nasceu em abril de 1932 na Colômbia e é conhecido por pintar pessoas gordas, como também cavalos e frutas. As obras do pintor são uma mistura da cultura contemporânea da Colômbia e a inspiração nas tradições artísticas de obras de mestres clássicos como Diego Velásquez e Piro delia Francesca. Assim, suas figuras anafadas, gordas, desajeitadas, que parecem não caber no espaço ou disputam cores e formas com o vazio, se tornam espécies de forças, marcas. Botero trabalha basicamente com pinturas e esculturas e os temas de sua obra variam entre a temática sul-americana, as obras sobre o circo, as naturezas mortas e os retratos de frutas, cavalos e amazonas. O pintor às vezes aparece em suas pinturas em “auto retrato” e vez por outra surge alguém com uma faca em seus quadros.  Na entrada registramos a escultura de uma mão gigante e achei sua arte forte e marcante.

Museu de Botero em Bogotá

Numa noite em Bogotá fomos jantar num restaurante chamado de Alto Nível próximo ao nosso hotel em frente a uma pracinha, desses comuns que temos aqui em Fortaleza. Ficamos assistindo ao jogo de futebol ALIANCA PETROLERA X ATLÉTICO HUILA pela liga local. Não me dei muito bem, pedi um belo peixe chamado truta e achei o prato caro e sem graça. Uma refeição em média custava na época (abril de 2016), R$ 35,00 a R$ 40,00 após as devidas transformações cambiais. (1 real = 890 pesos colombianos COP). Após a última noite em Bogotá, seguimos para Cartagena.